Agência Brasil
RECIFE - O juiz da 3ª Vara da Fazenda de Pernambuco Luiz Gomes da Rocha determinou que os professores da rede estadual de ensino, em greve há quase 30 dias, retornem ao trabalho na segunda-feira. De acordo com a liminar do juiz, caso a decisão não seja cumprida o sindicato da categoria terá que pagar multa diária de R$ 10 mil.
O magistrado justificou a medida afirmando que embora a greve seja um direito legítimo do trabalhador, a prestação do serviço educacional não pode sofrer interrupção por ser uma atividade essencial à sociedade. E reconheceu que a paralisação é ilegal por prejudicar o ano letivo. Desde 8 de junho cerca de 950 mil estudantes, de 1.107 escolas públicas de todo o estado, estão sem aulas.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), Heleno Araújo, informou que a categoria ainda não foi notificada oficialmente pela justiça. Ele disse que segunda-feira à tarde os docentes e toda a comunidade escolar realizam ato político/cultural na Praça da Independência, no centro da capital, para pressionar o governo do estado a reabrir as negociações.
O caminho para acabar a greve é o diálogo. O que queremos é educação pública de qualidade para todo o povo pernambucano, frisou. Ele disse que a proposta apresentada pelo governo, que consiste no pagamento do abono educador, em um único mês, no final do ano letivo, foi rejeitada. Os professores querem reajuste salarial de 16% e melhoria das condições de trabalho, entre outros benefícios. O piso da categoria é de R$ 253, para 30 horas de trabalho semanais.
As negociações com o governo estadual não avançaram. E diante da falta de entendimento, o governo ameaçou descontar os dias não trabalhados. O secretário de Educação, Danilo Cabral, propôs a avaliar o reajuste solicitado só depois de acertar as metas do Programa de Ajuste Fiscal, com o governo federal.