Conselho de Ética indica que vai prorrogar processo contra Renan

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BRASÍLIA - Líderes e senadores dos maiores partidos do Congresso pediram a prorrogação do processo contra Renan Calheiros (PMDB-AL) no Conselho de Ética para concluir a investigação da contabilidade das fazendas do presidente do Senado.

- Não tenho condições de aprovar o relatório Cafeteira se o PSDB não tiver mais tempo, o tempo necessário para analisar a perícia dos documentos, afirmou o líder tucano Artur Virgílio (AM), sugerindo o adiamento por uma semana.

O relatório feito pelo senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) recomenda o arquivamento da representação contra Renan por suposta quebra de decoro. Cafeteira se licenciou da relatoria no início da semana, alegando recomendações médicas.

O líder do DEM, José Agripino Maia (RN) argumentou na mesma linha de Artur Virgílio e também pediu o adiamento sob pena de seu partido rejeitar o arquivamento. Segundo ele, a perícia dos documentos contábeis e os novos depoimentos ouvidos pelo conselho "não deram respostas suficientes" às dúvidas dos senadores.

- Queremos a dilatação do prazo das investigações, para que as histórias que há por trás dos documentos sejam contadas, afirmou.

O senador Eduardo Suplicy também pediu mais investigações e disse que esta seria a posição dos senadores Augusto Botelho (PT-RR) e Renato Casagrande (PSB-ES).

Também o senador Valter Pereira (PMDB-MS) indicou que deseja uma prorrogação das investigações e apresentou à mesa um voto em separado. Com isso, consolidou-se a tendência de que o presidente do Senado seja derrotado em seu objetivo de conseguir nesta quarta-feira o arquivamento do processo aberto contra ele pelo PSOL.

O Conselho de Ética apura se houve quebra de decoro de Renan Calheiros no episódio do pagamento de pensão alimentícia à filha que teve fora do casamento com a jornalista Mônica Veloso. Os pagamentos foram feitos através de um lobista da construtora Mendes Júnior.