Caso Renan Calheiros: senadores pedem adiamento da sessão

Agência JB

BRASÍLIA - Senadores pediram o adiamento da sessão do Conselho de Ética do Senado que discutiu, nesta tarde, a votação do relatório da representação do PSOL contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) por quebra de decoro parlamentar. O amazonense Arthur Virgílio disse que o mais prudente é a matéria não ser votada nesta quarta-feira, já que o documento periciado só chegou às mãos da bancada hoje de manhã.

- Não temos nas nossas mãos uma análise segura para que se possa ser feita a votação - afirmou Arthur Virgílio.

O senador disse que qualquer voto que o PSDB dê hoje "seria tão precipitado como se fosse dado sem o periciamento dos documentos de Renan Calheiros".

Virgílio declarou que nunca prejulgou Renan Calheiros e insistiu que a votação aconteça em outra oportunidade:

- O partido não tem como aprovar o relatório de Epitácio Cafeteira sem analisar os documentos periciados.

O senador do PSDB-AM pediu que a comissão diga à nação que ela está preocupada em condenar ou absolver de qualquer jeito:

- Queremos aprofundar as investigações. O que interessa ao PSDB é a verdade. Peço que tenhamos a necessária paciência para ter um processo legítimo de decisão.

José Agripino Maia (DEM-RN)também defendeu o adiamento da votação, argumentando que não se pode votar com qualquer tipo de dúvida.

- O convencimento tem de se dar pelo argumento. Peço aqui que o prazo para que se possa analisar todos os argumentos seja maior - disse o senador, acrescentando que nesta quarta não teria argumentos nem para condenar, nem para absolver Calheiros.

O líder do DEM afirmou ainda que "as respostas que vieram até agora não são convincentes" e frisou que, "em jogo, está a credibilidade do Congresso Nacional".

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) também defendeu o adiamento da sessão.

- A perícia demonstrou inúmeros problemas e inconsistências nos documentos apresentados por Renan Calheiros para a sua defesa - disse Suplicy, referindo-se às informações sobre datas e quantidade de gado vendida por Renan.

Valter Pereira (PMDB-MS) disse que não se sente confortável para votar a matéria enquanto as diligências não terminarem.

- O processo tem duas etapas a serem cumpridas para que tenha desfecho adequado e algumas investigações feitas em Alagoas ainda estão inconclusas - justificou.

O senador Marconi Perilo (PSDB-GO) disse que desde o início o PSDB tem sido voto vencido.

- Não queremos que tenhamos aqui um rito sumário - afirmou.

Perillo discutiu as brechas no relatório e foi a favor de impedir que a votação acontecesse nesta quarta-feira.

- O voto pelo adiamento já conta com pelo menos 10 senadores que estão dispostos a votar um pedido de adiamento - argumentou.

O senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) compartilhou a mesma opinião.

- É importante que o país reconheça que há lisura no processo - ressaltou. - O PSDB não se escondeu nesse processo. Não estamos no muro. Se vier à votação, votaremos contra ela.

Ao ser questionado pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO) a respeito de trecho do texto do então relator Epitácio Cafeteira (PTB-MA), em que este destaca a "absoluta ausência de indícios que ao menos em tese pudessem justificar a abertura de um processo por quebra de decoro parlamentar", o presidente do Conselho de Ética, senador Sibá Machado (PT-AC) esclareceu que o processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) já está devidamente instalado.

Demóstenes afirmou que é fundamental que não haja dúvida sobre a natureza jurídica do procedimento. Ele temia que, caso o conselho votasse pelo não-arquivamento, a representação do PSOL tivesse que voltar para a Mesa Diretora.

De acordo com as denúncias, Calheiros teria despesas pessoais - inclusive a pensão para a filha que tem com a jornalista Mônica Veloso - pagas por um lobista da construtora Mendes Júnior. A sessão, anteriormente marcada para as 13h30, foi remarcada para as 17h por falta de quorum. Sibá afirmou que o adiamento ocorreu devido aos pedidos dos líderes das bancadas.

Do Conselho, além de Sibá, apenas os senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Augusto Botelho (PT-RR) compareceram à primeira sessão. Hoje, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) assumiu a relatoria. A indicação de seu nome foi feita ontem à noite. Foi necessária a indicação de um novo relator depois que o primeiro, Epitácio Cafeteira, pediu afastamento das atividades parlamentares por motivos de saúde.