Oposição aperta cerco a Renan e já discute renúncia

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BRASÍLIA - Os partidos de oposição, PSDB e DEM (ex-PFL), apertaram o cerco em torno do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e tentarão evitar que o Conselho de Ética encerre nesta quarta-feira o processo contra o senador. A situação de Renan se complicou ainda mais porque não há unidade entre os governistas quanto à suspeita de que ele teria fraudado a contabilidade de seus negócios agropecuários para justificar sua renda pessoal.

- Seria melhor para todos se o presidente Renan Calheiros renunciasse ou pelo menos pedisse licença do cargo que ocupa. Ele está pensando mais nele próprio do que no Senado e comprometendo a imagem da instituição - disse o líder do DEM, José Agripino Maia (RN).

O processo contra o senador no Conselho de Ética foi aberto para apurar suspeitas de que ele teria utilizado recursos da construtora Mendes Júnior para pagar pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha nascida em 2004.

Para contestar a suspeita, o presidente do Senado alegou que teria rendimentos provenientes da venda de gado, mas reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, colocou em xeque a contabilidade de suas fazendas em Alagoas.

A Polícia Federal deve apresentar ainda nesta terça-feira um laudo pericial dos documentos apresentados por Renan para contestar acusação de superfaturamento. Se confirmada, a acusação configura quebra de decoro parlamentar, sujeitando Renan à perda de mandato, por recomendação do Conselho de Ética.

- O problema nem é mais em relação à denúncia original, mas à documentação referente aos bois do presidente do Senado - acrescentou Agripino.

A aliados, Renan tem dito que não renuncia à Presidência. Ele pretende obter maioria entre os 15 membros do Conselho de Ética para arquivar o processo em sessão marcada para quarta-feira, anexando o laudo da perícia.

As bancadas do DEM e do PSDB reúnem-se antes da sessão do conselho para articular o voto contrário a Renan. Somados ao PSOL e ao PDT, a oposição teria sete votos para prorrogar o processo até uma investigação completa da situação fiscal do presidente do Senado.

- Mesmo que o Renan consiga uma vitória apertada no conselho, a situação dele não muda: é uma fratura exposta. A pressão de fora para dentro está funcionando e exige uma definição do Senado - disse o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).

Para manter a escassa maioria de oito votos, Renan precisa contar com o senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Renato Casagrande (PSB-ES), que só vão se definir depois de examinar o resultado da perícia contábil.