Diario americano diz que 'corrupção mancha imagem de Lula'

Portal Terra

NOVA YORK - A Operação Xeque-Mate da Polícia Federal é a última "de uma série de escândalos com nomes teatrais que vêm dominando as manchetes no Brasil e manchando a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva", relata em sua edição desta terça-feira o diário americano The Los Angeles Times.

Ainda assim, o jornal observa que Lula, reeleito no ano passado com uma grande votação, "é às vezes chamado de presidente-Teflon, por causa de sua capacidade de se livrar dos escândalos".

- Lula, como a maioria dos políticos brasileiros, chegou ao poder prometendo atacar a corrupção arraigada. Esse objetivo se mostrou um trabalho de Sísifo, porém, em uma nação onde o suborno parece impregnado no sistema político, custando bilhões anualmente aos contribuintes com concorrências fraudadas e outras práticas ilícitas - diz a reportagem.

O jornal relata que "desde que Lula tomou posse, em 2003, escândalos com nomes como Hurricane, Anaconda, Vampiro e Dossiegate derrubaram centenas de funcionários públicos - juízes, membros do Congresso, policiais e quatro membros do ministério".

Para o Los Angeles Times, "os escândalos vêm e vão como os últimos lançamentos no cinema".

- Com cada escândalo, conversas telefônicas grampeadas, vídeos clandestinos, dados bancários e inventários de buscas judiciais são vazadas para a mídia - diz o jornal, afirmando que, apesar de muitos políticos acabarem perdendo o cargo, "um sistema judicial ineficiente garante que a maioria escape da prisão".

A reportagem comenta que "nenhum escândalo até agora atingiu Lula pessoalmente", mas avalia que "os subornos podem prejudicar os objetivos de Lula para o segundo mandato".

- A queda de políticos aliados ameaça debilitar a aliança governista. Fraude em obras públicas podem enfraquecer o projeto de Lula para investimentos em infra-estrutura, cujo objetivo é estimular o crescimento - conclui a reportagem.

Os escândalos também são tema de reportagem do jornal argentino Clarín, que cita a imprensa brasileira para afirmar que "o irmão e o amigo do presidente brasileiro serão denunciados pelo Ministério Público como integrantes de uma 'poderosa organização criminosa'".

- Genivaldo da Silva, conhecido como Vavá, irmão mais velho de Lula, será acusado de 'tráfico de influências e exploração de prestígio' em favor do dono de várias casas de bingo e de empresários interessados em obter contratos relacionados com o Estado brasileiro - relata a reportagem.

O jornal observa que "na operação Xeque-Mate foi descoberta uma ampla rede criminosa da qual faziam parte empresários, autoridades e policiais: duas de cada três delegacias da cidade de São Paulo, a maior do Brasil, teriam recebido subornos para deixar funcionar máquinas caça-níqueis, proibidas".

A reportagem diz ainda que nos autos apresentado pela Polícia Federal ao Ministério Público "se afirma que, apesar de o nome do presidente Lula ser citado em algumas das 617 gravações realizadas pelos investigadores, em nenhum caso ele é associado com algum delito".