Presidente da Anatel confirma versão de controladores

Agência Brasil

BRASÍLIA - Telefones sem fio de longo alcance e rádios comunitárias não outorgadas são as causas dos "graves problemas de comunicação" das torres de comando com as aeronaves no espaço aéreo brasileiro. As informações são do presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Plínio de Aguiar Junior, que nesta quarta-feira depôs na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo do Senado Federal.

Em 2005, segundo Aguiar Junior, houve 475 ocorrências de problemas de comunicação causados por interferências de telefones sem fio. No ano passado, 135.

Indagado pelo relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), sobre a veracidade dos depoimentos dos controladores de vôo, que denunciaram a existência de problemas de comunicação e na estrutura de rádio do sistema, o presidente da Anatel disse que "o problema existe". E disse que o monitoramento às vezes é lento, após citar como exemplo o caso de um fazendeiro do Paraná que instalou um amplificador para melhorar o sinal do celular: "Levamos dias para chegar ao ponto da interferência".

No caso das rádios comunitárias, explicou, a solução é ainda mais lenta, porque "é preciso gravar primeiro, chamar a polícia e apreender o material". Segundo Plínio de Aguiar Junior, há rádios autorizadas a trabalhar em determinada freqüência e que operam em freqüência quase 25 vezes superior". Uma dessas rádios, acrescentou, "em três semanas, foi fechada três vezes".

A Anatel, disse, conta hoje com recursos suficientes para fiscalizar todo o país: "Temos 890 vagas para fiscais e 790 já foram preenchidas com concurso público". Por meio de convênio com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA), o monitoramento será feito nos próprios aeroportos.

- Só falta instalar os equipamentos -, informou.

O trabalho consiste em comparar as freqüências em uso com as freqüências permitidas, para um mapeamento constante dos sinais ilegais que possam atrapalhar a comunicação aérea.

Os controladores de vôo da torre de Brasília disseram em depoimento na CPI que falhas no sistema e problemas de comunicação contribuíram para causar o acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, em setembro do ano passado, quando morreram 154 pessoas.