PF investiga supostos pagamentos a irmão de Lula

Portal Terra

BRASÍLIA - A Polícia Federal (PF) está apurando, baseada em escutas telefônicas, se o ex-deputado estadual do Paraná Nilton Cezar Servo, acusado de comandar uma organização criminosa para a exploração de caça-níqueis, fazia pagamentos para Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vavá foi indiciado por tráfico de influência e exploração de prestígio.

Em uma das gravações telefônicas que provocaram a Operação Xeque-Mate, Servo aparece reclamando para uma terceira pessoa que Vavá estaria pedindo "além do combinado". A PF apurou que, além dos negócios com caça-níqueis, Servo agiria como uma espécie de "ponte" entre empresários e o irmão do presidente no suposto tráfico de influência, que atuaria como lobista, conforme uma fonte da Polícia Federal.

O ex-deputado foi o último dos 78 presos pelo Xeque-Mate a depor. O depoimento dele começou às 9h (horário de MS) e ainda não terminou. Nilton Cezar Servo foi preso na terça-feira em Uberaba, no Triângulo Mineiro.

Nos seis meses que antecederam a Operação Xeque-Mate, a Polícia Federal analisou mais de 166 mil chamadas telefônicas de acusados de integrar a máfia do jogo, tráfico de drogas ou corrupção policial. Destas, apenas 5,6 mil conversas foram consideradas importantes - 600 foram encaminhadas para a Justiça Federal dentro da apuração da máfia dos caça-níqueis e outras 5 mil foram mandadas para a Justiça Estadual de Três Lagoas, a 320 km de Campo Grande, para amparar a investigação sobre as propinas pagas a policiais pelo crime organizado.