FH defende reforma política para combater corrupção

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SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta terça-feira a aprovação da reforma política como forma de combater as denúncias de corrupção envolvendo congressistas e integrantes do governo. Mudanças na confecção do Orçamento da União também seriam necessárias.

- O que podemos fazer é alterar as condições que eventualmente facilitam as transgressões. O importante é, juntos, discutirmos o que vamos fazer para mudar as condições pelas quais no Brasil são selecionados os homens para exercer funções públicas, começando pelo Congresso - disse o ex-presidente após participar do São Paulo Ethanol Summit, evento sobre álcool que se realiza na cidade.

- Tem que mudar a legislação eleitoral, está na hora de uma reforma política mais profunda, é agora o momento, e é preciso mudar a forma como se elabora o Orçamento, que tem sido há muitos anos a fonte, a origem de muita prevaricação, de muita corrupção - completou.

Fernando Henrique não quis comentar a ação da Polícia Federal realizada na segunda-feira na casa de Genival Inácio da Silva, irmão do presidente Lula, em São Bernardo do Campo (SP). A apreensão na casa de Vavá, como é conhecido, foi no mesmo dia da Operação Xeque-Mate, envolvendo uma máfia de caça-níqueis.

- Se existe uma coisa errada, cumpra-se a lei, sem arbitrariedades, se a Justiça autorizou (o mandado de busca e apreensão na casa do irmão de Lula), deve ter algum elemento para autorizar - disse o ex-presidente, acrescentando que "ninguém deve proteger ninguém nessa matéria".

Ao ser questionado sobre projetos na área de energia, o presidente criticou o governo Lula, dizendo que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) estaria apenas retomando projetos de seu mandato.

- O PAC me parece uma espécie de novo Fome Zero, ou seja, muito barulho para fazer o que já havia. Eles estão retomando o que já havíamos feito, o processo de gerenciamento de projetos prioritários. Eu não torço contra o Brasil, quem ganha é o povo brasileiro, mas que não foi feito o que tinha que ser feito nessa matéria, não foi - sentenciou.