Navalha virou canivete cego, diz Heloísa Helena

Portal Terra

MACEIÓ - A presidente do Psol, a ex-senadora Heloísa Helena, disse em Alagoas que a Operação Navalha, da Polícia Federal, acabou se transformando em um "canivete cego" por causa da "articulação promíscua" entre o Palácio do Planalto e setores empresariais. Ela também voltou a defender uma CPI no Congresso para apurar a suposta máfia das obras públicas, além do afastamento do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL). A ex-senadora participou da abertura da II Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres, realizado no Estado.

- Seria necessária uma afiadíssima espada de samurai para conter as excelências insaciáveis e não apenas uma navalha, que pela articulação promíscua entre Palácio do Planalto e setores empresariais já se transformou em canivete cego, nem mais uma navalha é. Então, nós continuamos lutando pela CPI porque só a CPI tem poder de investigação próprio das autoridades policiais - afirmou Helena.

- Estabelecer processo investigatório para investigar tráfico de influência, intermediação de interesse privado, exploração de prestígio, abuso das prerrogativas asseguradas aos parlamentares e recebimento de vantagens indevidas. Para o Psol o mais importante é a instalação da CPI - detalhou.

Para Heloísa Helena, seria "compatível com a racionalidade" o afastamento de Renan do cargo até que sejam apuradas todas as denúncias sobre seu envolvimento com a Construtora Mendes Júnior.

Segundo as denúncias, veiculadas na imprensa nacional, o lobista da empreiteira, Cláudio Gontijo, bancaria as despesas pessoas da jornalista Mônica Veloso, com quem Renan teve um relacionamento. Da relação, nasceu uma menina, com três anos. - Não vou falar do afastamento para não parecer frustração, isso cabe ao Senado. Eu acho que é compatível com a racionalidade que alguém que esteja sendo investigado possa se afastar para não obstaculizar as investigações. Mas, o mérito para nós não é o afastamento, é a apuração através de uma CPI - contou a ex-senadora alagoana.

No dia 29 de maio, o Psol decidiu entrar com uma representação no Conselho de Ética do Senado contra Renan Calheiros por quebra de decoro parlamentar. - Não tenho nada a ver com a vida pessoal de ninguém, que eles cuidem da filha, ele seja um bom pai, a jornalista seja uma boa mãe. O que queremos é abertura da CPI - contou a ex-senadora, referindo-se a Mônica Veloso e Renan Calheiros.