Estudantes da USP mantêm ocupação da reitoria por tempo indeterminado

Agência Brasil

SÃO PAULO - A assembléia-geral dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP) decidiu na última sexta-feira à noite manter por tempo indeterminado a ocupação do edifício da reitoria da instituição.

Os estudantes aprovaram a manutenção da reivindicação de revogação de decretos do governo que, segundo eles, ferem a autonomia universitária.

Também foi aprovada a requisição de realização de uma estatuinte na universidade (assembléia geral da instituição para a elaboração de um novo estatuto).

A assembléia, que contou com aproximadamente mil pessoas, ocorreu um dia após o governador José Serra publicar no Diário Oficial do Estado de São Paulo um decreto declaratório que reformulou as cinco medidas publicadas anteriormente sobre a educação no estado.

O texto dá interpretação autêntica a quatro deles (nº 51.636, de 9 de março; nº 51.471 e 51.473, de 2 de janeiro; e nº 51.660, de 14 de março) e altera a redação do decreto que organizava a Secretaria de Ensino Superior (nº 51.461, de 1º de janeiro).

A professora titular de direito administrativo da Faculdade de Direito da USP, Odete Medauar, afirmou em entrevista, que a redação anterior dos decretos, assinados pelo governador José Serra no início do ano, possibilitava a interpretação de uma interferência na autonomia universitária, mas que a revisão, publicada no último dia 31 no Diário Oficial, deixa claro que os decretos não se aplicam à universidade e somente a outras áreas da administração que não têm a autonomia assegurada pela Constituição.

Uma nova reunião entre alunos e a reitora da USP, Suely Vilela, deve ocorrer na próxima segunda-feira (4), quando é esperada também a realização de uma nova assembléia geral dos estudantes. Os alunos têm interesse em manter a negociação desde o dia 3 de maio início da ocupação.

- Nossa expectativa é que a negociação continue a partir de segunda-feira - disse Carlos Gimenez, da comissão de comunicação do movimento de ocupação, estudante de Ciências Sociais.

No último dia 31, o secretário estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Antonio Marrey, condicionou o avanço das negociações entre governo e manifestantes à saída imediata dos estudantes da reitoria.

Enquanto não houver desocupação da reitoria, não tem mais conversa, disse Marrey.