AP: Projeto distribui preservativos a jovens de escolas públicas

Agência Brasil

BRASÍLIA - Dados do Censo Escolar 2005 mostram que o estado do Amapá é proporcionalmente o que possui o maior número de escolas que disponibilizam preservativos para os estudantes, cerca de 15% do total. Em Macapá, além da distribuição de camisinhas, cerca de 10 escolas municipais trabalham ensinando professores, alunos, pais e mães como se proteger de doenças sexualmente transmissíveis, de gravidez indesejada, do uso de drogas e outros assuntos relacionados à adolescência.

Trata-se do Projeto Escola Saudável: Implantação do Banco de Preservativos sob a Perspectiva do Protagonismo Juvenil.

O projeto foi apresentado neste sábado, na Universidade de Brasília (UnB), durante a 2ª Mostra Nacional Saúde e Prevenção nas Escolas. O professor de Biologia da escola macapaense Maria Carmelita do Carmo, Venceslau Pantoja, disse que após o início do projeto já é possível observar uma mudança na forma como os jovens percebem a própria vida, atuando com mais responsabilidade e agindo com prevenção.

- Quando o jovem assume esse papel de executor, e que planeja as ações, ele acaba incorporando e se sentindo muito mais responsável em estar trabalhando questões primordiais para a saúde sexual e reprodutiva - afirmou Pantoja.

A estudante do 2º ano do ensino médio da escola Maria Carmelita do Carmo, Bruna Carvalho, contou que já observou uma mudança de pensamento em vários de seus colegas e reconhece em si mesma uma nova postura diante da vida.

- Eu sabia o que todo mundo sabia, o básico. Depois que eu entrei para o grupo, o que eu sabia foi tão aprofundado que eu sou multiplicadora agora e tento repassar para os outros o que aprendi. A minha visão era bastante limitada, e agora não.

Apesar de já ter apresentado bons resultados, o projeto passa por alguns dificuldades, entre elas a recusa de alguns pais em discutir o assunto sexualidade em sala de aula e a falta de apoio integral de alguns professores.

- Muitas vezes, a gente consegue mudar o pensamento, inclusive há uma dinâmica para isso, e não é um problema tão grande assim - explicou Bruna.

Já o professor Venceslau Pantoja defendeuque o projeto seja institucionalizado pela Secretaria de Educação do Amapá, para que ganhe mais força e adesão.

- Seria fundamental que o poder público desse mais apoio. Nós enfrentamos uma dificuldade que é a não institucionalização do programa no âmbito da Secretaria de Estado da Educação. Eles acham bonitinho, mas apoio efetivo não existe. Eu faço um apelo para que esses órgãos enxerguem com melhores olhos esse programa.

O projeto é direcionado para estudantes da 5ª série do ensino básico até o 2º ano do ensino médio.