Chinaglia: Chávez foi desrespeitoso com o Congresso

Agência Câmara

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, comentou as declarações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de que o Senado brasileiro age como um papagaio do Congresso americano. Chávez criticava o requerimento aprovado pelo Senado brasileiro em que os senadores pedem que ele devolva a concessão ao canal de televisão RCTV. - Nós temos a nossa posição, que é pública, em defesa do direito à liberdade de imprensa e à informação de qualidade. Evidentemente, eu discordo da opinião do presidente da Venezuela e refuto qualquer afirmação, ou sequer insinuação, de que o Congresso Nacional esteja subordinado a qualquer outro poder e, notadamente, a outro país - disse Chinaglia. O presidente da Câmara referia-se à afirmação de Chávez de que é mais fácil o Brasil voltar a ser colônia portuguesa do que seu governo devolver a concessão ao canal. - É evidente que é uma afirmação desrespeitosa e acima de tudo desinformada. O Congresso Nacional é eleito pelo povo brasileiro e, portanto, nós só devemos prestar contas ao povo brasileiro.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, também comentou as afirmações de Chávez. - Um chefe de Estado que não sabe conviver com uma manifestação democrática, como foi a do Senado brasileiro, provavelmente está na contramão da democracia.

O presidente da Câmara não quis fazer julgamentos sobre a decisão de Chávez de não renovar a concessão com a RCTV porque, segundo ele, essa é uma questão interna do governo venezuelano. Chinaglia também comentou as conseqüências que a decisão pode acarretar em relação à entrada da Venezuela no Mercosul. A Venezuela participa do bloco como membro em processo de adesão. Sua entrada definitiva depende da aprovação dos parlamentos dos quatro países-membros. Argentina e Uruguai já aprovaram, mas ainda faltam o Brasil e o Paraguai.

- No Parlamento a Venezuela já está presente, como membro observador. A decisão de participar ou não do Mercosul especificamente é uma iniciativa dos poderes executivos - explicou Chinaglia. - Só no momento em que houver acordo entre os executivos o parlamento brasileiro vai analisar a entrada da Venezuela.