Brasil e Chile reforçam aliança e assinam convênio energético

Agência EFE

SANTIAGO DO CHILE - Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Michelle Bachelet reforçaram nesta quainta-feira em Santiago, no Chile, uma aliança estratégica que possibilita a integração sul-americana, a inclusão social e a cooperação energética.

Lula foi recebido pela presidente chilena no Palácio da Moeda, onde durante mais de uma hora conversaram sobre assuntos bilaterais e regionais, em especial o comércio, a integração, o desenvolvimento da infra-estrutura e a cooperação.

Em entrevista coletiva marcada pela cordialidade, Lula disse que os dois discutiram a 'necessidade de uma coordenação mais estreita entre Brasil e Chile para impulsionar a integração sul-americana'.

- A América do Sul vive um momento crucial, de muitas oportunidades, onde os principais desafios são a energia, a infra-estrutura e a igualdade social - declarou Bachelet.

De acordo com a presidente anfitriã, Brasil e Chile mantêm 'uma relação centenária e uma amizade sem limites'.

Os dois governantes reafirmaram o compromisso e a preocupação com as desigualdades sociais e se comprometeram a incentivar na próxima Cúpula Ibero-Americana 'acordos políticos sustentáveis com tempo suficiente para conseguir avanços efetivos na superação da pobreza'.

Lula e Bachelet acompanharam a assinatura de nove convênios bilaterais nas áreas de educação, turismo, energia, seguridade social, cooperação em ciência e tecnologia, e inovação.

Entre eles se destacam um convênio entre a Empresa Nacional do Petróleo do Chile e a Petrobras para possibilitar a prospecção de hidrocarbonetos nos dois países, e um memorando de entendimento sobre biocombustíveis, pelo qual o Brasil ajudará o Chile a desenvolver e a utilizar o etanol.

- As perspectivas de nossa relação são de um entendimento crescente e profundo - disse Lula. E completou que a agenda entre os dois países 'não contém disputas, pelo contrário, estamos intensificando nossas relações'.

O presidente destacou o desenvolvimento das potencialidades e complementaridades da região. Além disso, falou da necessidade de buscar nichos não só para negócios, mas também para a solução de problemas como o energético.

Depois de declarar o apoio brasileiro para a resolução dos problemas energéticos da região, Lula afirmou que a América Latina tem todas as condições 'para resolver os problemas do gás, do petróleo, do carvão, da geotermia e outros'.

- Vamos cooperar para dar mais segurança energética - declarou.

Lula disse que se propôs a realizar no segundo mandato tudo o que não conseguiu fazer no seu Governo anterior, especialmente seus sonhos de integração sul-americana.

- Sem integração não vamos desenvolver o potencial que existe na América Latina - disse. Defendeu também que a integração se estenda aos empresários e às universidades.

Também afirmou que a influência venezuelana na região não gera desequilíbrio na relação com o Chile nem com os demais países, reiterou que não tem problemas com o presidente Hugo Chávez e disse que tem uma relação 'democrática e civilizada' com a Venezuela.

- Não acredito na existência do chavismo, acredito na existência de uma consciência sul-americana. O grande problema que temos na América do Sul não é o Chávez (nem outros presidentes) o grande problema é que precisamos recuperar décadas em que o povo pobre foi submetido à fome e à falta de educação - declarou.

Brasil e Chile têm uma balança comercial de US$ 7 bilhões, com um superávit de US$ 1,5 bilhão para a economia chilena.

Na primeira atividade em Santiago, Lula visitou a escola República do Brasil, onde assinou com Bachelet um memorando de entendimento sobre inclusão das tecnologias de informação nos sistemas de educação dos dois países.

O presidente também visitou a sede regional do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para apresentar o plano América Latina e o Caribe sem Fome.

Lula também deve participar da solenidade de encerramento da reunião do Fórum Econômico Mundial sobre a América Latina, da qual participam 400 empresários de 28 países. Ele viaja ainda hoje para a Argentina.