Sem-teto protestam e pedem solução para ocupação na Grande São Paulo

Agência Brasil

BRASIL - Vários grupos de sem-teto realizaram manifestações nesta quarta-feira em São Paulo para pressionar o governo a encontrar uma solução para as mais de 3 mil famílias que ocupam uma área de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados em Itapecerica da Serra, cidade da Grande São Paulo. O prazo para que deixem o local expira no próximo dia 7.

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) bloquearam três importantes rodovias de acesso à capital paulista (Regis Bittencourt, Raposo Tavares e Castelo Branco) por cerca de uma hora e meia. Na Raposo Tavares, um motorista não identificado disparou contra os manifestantes. Três foram feridos, sem gravidade.

Os sem-teto negociam soluções com o governo federal, através da Secretaria de Habitação do Ministério das Cidades, da Caixa Econômica Federal e do governo paulista, por meio da Secretaria de Habitação.

Essas negociações não tem tido a efetividade nem a rapidez necessária.

- Se não forem construídas alternativas para essas famílias, o risco de haver um conflito de conseqüências imprevisíveis é muito grande. Sai daqui e vai para onde, para a rua? As pessoas não vão aceitar isso - diz Guilherme Boulos, coordenador do MTST.

Em nota, o movimento pediu a criação de uma política governamental de desapropriação de terras urbanas e rurais, principalmente de terrenos ociosos, que não cumprem nenhuma função social, e neles construir casas populares, para aqueles que não têm onde morar.

O MTST pede também que os governos parem de despejar as pessoas, pois isso 'só gera mais violência'.

- O despejo não é uma solução para o déficit habitacional. Exigimos que os governos tenham uma verdadeira política pública para habitação.

A reportagem tentou contato com os governos federal e estadual, mas não obteve nenhuma informação nova sobre as reivindicações. Em ocasiões anteriores, o governo federal tinha manifestado compromisso de acompanhar e tentar viabilizar uma solução para as famílias e o governo estadual tinha dito que a ocupação seria monitorada pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).