Analistas recomendam mudança no modelo de educação brasileiro

Agência EFE

SÃO PAULO - Analistas da Colômbia, Espanha, Índia e Noruega recomendaram nesta quarta-feira uma mudança no modelo de educação brasileiro para o país ganhar competitividade industrial.

A proposta foi feita durante o 2º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria.

O colombiano Carl Dahlmann, representante da universidade americana de Georgetown, disse à agência Efe que 'o Brasil precisa mudar o conteúdo de seu modelo de educação para melhorar sua classificação no ranking mundial'.

O congresso foi organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) do Brasil e reuniu em São Paulo entre segunda-feira e quarta-feira 600 empresários e especialistas do Brasil e de outros quatro países.

O objetivo do congresso era analisar a posição brasileira diante de outros países do bloco 'Bric' (Brasil, Rússia, Índia e China) e frente a outras nações da região, como Argentina, Chile e México.

A realização do fórum foi uma resposta à preocupação pela queda do Brasil em diversas classificações, como a de 'Avaliação do conhecimento' (KAM, sigla em inglês), do Banco Mundial, onde o país ocupa a 60ª posição entre 132 países.

O especialista colombiano, um dos responsáveis pela elaboração da KAM, disse que a situação do Brasil frente aos demais países do "Bric' é 'bem diferente, já que o desafio maior é em relação à China, que tem vantagem no setor manufatureiro, produzindo com capacitação e a baixos custos'.

- O setor industrial brasileiro tem um duplo problema, já que a média de escolaridade chinesa, que era bem menor, agora se igualou à brasileira - acrescentou Dahlmann, que lembrou que a população universitária chinesa entre 18 e 24 anos apresentou um 'crescimento inédito' de 3,5% para 21% entre 1995 e 2006.

Com a maior população universitária mundial, em termos absolutos, a China também supera os Estados Unidos quanto à participação desses estudantes no setor de ciência e tecnologia, com 40% contra 20% dos americanos.

- A Índia, por falta de infra-estrutura, avançou no campo farmacêutico e de informática, além de ter aproveitado o domínio do inglês entre sua população. O mesmo vem fazendo a Rússia - ressaltou.

Dahlmann considerou que apesar do potencial no setor petroleiro e de gás natural, a economia russa corre o risco de "desindustrialização', ameaça que também está presente no Brasil após o fortalecimento das exportações de matérias-primas, mas que carece de inovação tecnológica.

Maurício Mendonça, gerente executivo da Unidade de Competitividade Industrial da CNI e coordenador do evento, disse à Efe que durante o encontro serão elaboradas duas agendas para suprir as deficiências em inovação, para, então, entregar os relatórios ao Governo.

Mendonça afirmou que 'em uma agenda abordamos biotecnologia, nanotecnologia, energia renovável e incentivos fiscais ao investimento, especialmente para a saúde e bens de capital. Analisar o Brasil é bem difícil, é como um copo meio vazio e meio cheio, mas temos que desburocratizar e aproveitar o dinamismo'.

A outra agenda, chamada de 'Inovação', reúne propostas sobre o futuro da política industrial e será encaminhada aos ministérios de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e de Ciência e Tecnologia, detalhou.

O economista e engenheiro espanhol Pere Escorsa afirmou que o Brasil tem condições para avançar nesse campo, porque 'é um país gigantesco e tem capacidade tecnológica em muitas áreas, com várias empresas de alta tecnologia, como a Embraer'.