Lula cobra cumplicidade de empresários

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SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou na sexta-feira divisão de responsabilidade com os empresários pelo sucesso da economia como um segundo passo a ser perseguido após a obtenção da estabilização econômica e da conquista da confiança internacional.

- Agora precisamos estabelecer a cumplicidade entre nós. Não existe problema que o governo possa resolver sozinho ou problema que a indústria automobilística possa resolver sozinha. Temos que estabelecer regras de conversação para enfrentarmos os problemas de forma conjunta e dar um salto de qualidade que o Brasil precisa - disse Lula.

As declarações foram feitas em São Paulo, durante discurso na solenidade de posse da nova diretoria da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em que Jackson Schneider, vice-presidente da DaimlerChrysler do Brasil, substituiu Rogelio Golfarb, da Ford, no comando da entidade.

- Você tem no governo todo um parceiro, para juntos, ao invés de ficarmos diagnosticando a desgraça, a gente construa o futuro do país - reiterou.

O presidente também elogiou a criação dos motores flexfuel, há três anos e que utilizam gasolina e álcool em qualquer proporção, e acabou cometendo um ato falho sobre o potencial desses veículos na redução do efeito estufa ao afirmar que suas emissões de gases colaboram para 'diminuir a caloria do planeta' referindo-se ao aquecimento global.

Ele também voltou a defender a compatibilidade entre a produção de biocombustíveis, como etanol de cana-de-açúcar e óleo de sementes vegetais, e o cultivo de alimentos. Esta é a principal crítica feita a esses combustíveis pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e pelo líder cubano Fidel Castro.

- Não existe nenhuma possibilidade de a gente entrar em choque nisso, até porque, por menos esperto que seja o cidadão, ele sabe que a principal energia para ele poder dirigir um carro é ele primeiro cuidar de sua energia que é comer. Então ele vai produzir alimento - afirmou, citando que a cana ocupa 1 por cento dos 444 milhões de hectares voltados ao cultivo.

Lula disse ainda que houve uma evolução nas relações entre capital e trabalho ao relatar que só foi convidado para uma cerimônia de posse da Anfavea depois que chegou à Presidência da República, enquanto o presidente do sindicato dos metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo, estava entre os convidados da noite. O setor deve atingir a produção de 2,3 milhões de veículos este ano.

Mais cedo, o presidente, que passa o fim de semana em São Bernardo do Campo (SP), compareceu à inauguração da montadora de origem sul-coreana Hyundai, em Anápolis (GO).