Subprocurador da República pede cuidado com populações ribeirinhas

Agência Brasil

BRASÍLIA - O subprocurador-geral da República, Wagner Gonçalves, chamou a atenção dos movimentos sociais para que não se esqueçam das populações ribeirinhas e amazônicas na luta pela demarcação de terras. Ele participou, nessa quarta-feira, de debate sobre violência no campo, realizado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

- Os ribeirinhos têm sofrido processos de desapropriação em praticamente toda a Amazônia. Eles têm sido esquecidos pelos movimentos sociais, afirmou.

Wagner Gonçalves pediu especificamente à Comissão Pastoral da Terra (CPT), ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e às entidades de defesa dos quilombolas que levem à discussão essas questão e não esqueçam os ribeirinhos.

Segundo o representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Henrique Marinho, os ribeirinhos não são o público-alvo do MST. Ele explicou que a Via Campesina, movimento internacional de pequenos e médios agricultores, tem organizações que trabalham com matrizes tecnológicas que possam gerar empregos para esses segmentos.

Na Amazônia, ocorre o maior número de trabalhadores escravizados e os grandes massacres de Eldorado dos Carajás, Corumbiara e vários assassinatos, acrescentou o representante da CPT no debate, Antônio Canuto.

Ele lembrou que a Amazônia abrange vários estados e que dos 36 assassinatos registrados neste ano, 24 aconteceram na região. Antônio Canuto citou as mortes ocorridas por superexploração do trabalho na região. Ele destacou o assassinato de um garoto de 11 anos, em junho de 2006, filho de um vaqueiro ameaçado ao tentar acertar as contas depois de três anos de trabalho.

- Se você denunciar à Justiça do Trabalho, um de vocês morre, teria dito o fazendeiro.