Presidente da Embraer aposta em conquista do mercado latino-americano

Agência EFE

SÃO PAULO - O novo presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, declarou nesta quarta-feira que durante sua gestão, que começa na segunda-feira, apostará na conquista do mercado latino-americano, que representa 6% do total mundial.

- Não temos um número (de projeções), mas podemos dizer que é um mercado em crescimento. É um mercado potencial e nele já tivemos êxito, como os acordos com (a companhia aérea panamenha) Copa e (a colombiana) AeroRepública - disse Curado à agência Efe.

Curado acrescentou que o que não se sabe é 'quanto desses 6% que a América Latina representa no mercado mundial será nosso. A metade já seria algo bem interessante, mas, repito: não temos uma estimativa concreta'.

Além do potencial do mercado latino-americano, o recém-empossado presidente disse que a Europa, destino de 25% das exportações da estatal, e os Estados Unidos, que concentram 50%, são mercados nos quais a Embraer pode aumentar as vendas, pois as companhias aéreas "precisam renovar e aumentar a frota para não perder clientes'.

Paradoxalmente, o Brasil continua sendo um mercado pouco explorado pela empresa, apesar de Curado adiantar que algumas companhias como a BRA e a OceanAir terem mostrado interesse em comprar aviões da Embraer.

Curado, que substituirá Maurício Botelho na Presidência de Embraer, classificou como 'positiva' a idéia do empresariado brasileiro de construir um novo aeroporto executivo em São Paulo para reduzir o congestionamento nos terminais existentes.

O intenso tráfego no aeroporto de Congonhas, o de maior movimento do país, e a situação similar no aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos, motivaram um grupo de empresários a propor a construção de um terceiro terminal.

- Não conheço a fundo o assunto, mas conceitualmente acredito que seja positivo - disse o executivo do quarto maior fabricante de aviões do mundo e o primeiro dentro da aviação executiva.

Curado, que nesta semana deixará o cargo de vice-presidente executivo para o Mercado de Aviação Comercial da Embraer para assumir as novas funções, foi apresentado hoje à imprensa por Botelho, que continuará à frente do Conselho Diretor da companhia.

A Embraer tem uma lista de pedidos que soma US$ 15 bilhões, cenário que levou a empresa a contratar mais 4.000 empregados, elevando o efetivo da estatal para 25.000 funcionários.

A companhia espera entregar neste ano aos clientes entre 165 e 170 aviões, com o que voltará ao nível de encomendas de antes dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, e que vai superar as 130 aeronaves entregues em 2006.

Em 2008, a estimativa é a entrega de 205 aviões de suas linhas executiva, comercial e de defesa, incluindo entre 15 e 20 aviões do modelo Phenom 100, ainda em fase de desenvolvimento.

- Há muito movimento, tanto no mercado de aviação comercial como executiva, porque a economia mundial está crescendo - disse Curado.