Lula recebe índios em Brasília e anuncia novas demarcações de terras

Agência EFE

BRASÍLIA -

Os índios brasileiros levaram nesta quinta-feira suas reivindicações até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após quatro dias acampados em Brasília, como medida de pressão para acelerar a demarcação de terras e pedir mais apoio institucional.

O Governo, coincidindo com a comemoração do Dia Nacional do Índio, anunciou a homologação de seis novas áreas indígenas, que somam 9.780 quilômetros quadrados, durante uma audiência de Lula com os indígenas no Palácio do Planalto.

O decreto de homologação assinado pelo presidente é o último passo para a proteção dos territórios.

Durante o mesmo ato, Lula oficializou, além disso, a instalação da Comissão Nacional de Política Indigenista, que pretende ser um fórum de discussão entre o Governo e os povos indígenas.

A comissão será composta por vinte representantes indígenas, dois de ONGs indigenistas e treze membros do Governo federal, e será presidida por um membro da Fundação Nacional do Índio (Funai).

A comissão é um pedido antigo dos índios e foi prometida por Lula no ano passado, durante as comemorações do Dia do Índio, adotado em 1943 pelo Governo do presidente Getúlio Vargas.

Os indígenas, que também foram recebidos hoje por representantes do Senado e do Supremo Tribunal Federal, ficaram quatro dias instalados no centro de Brasília para pressionar o Governo a acelerar a demarcação de terras.

O acampamento marcou o ato central do mês de protesto conhecido como 'Abril Indígena', que é organizado há quatro anos.

Nesta edição, na qual foi registrado um recorde de participação, cerca de 1.500 índios procedentes de mais de cem tribos diferentes se deslocaram até Brasília vindos de todo o país, após vários dias de viagem de ônibus.

Já na cidade, os indígenas montaram seu acampamento nos jardins vizinhos à Esplanada dos Ministérios, onde estavam desde segunda-feira vivendo em condições precárias.

O cacique Getúlio, da etnia guarani kaiowá, reconheceu que a qualidade de vida no acampamento era ruim. Inclusive 'pior que em nossas aldeias', disse.

Como cama, os índios usavam uma esteira no chão. No lugar de suas ocas foram improvisadas barracas pouco confortáveis e com uma cobertura de plástico negro que aquecia facilmente debaixo do sol.

Algumas das tribos chegaram a usar folhas de palma, que tiraram dos coqueiros dos jardins ministeriais, para tentar diminuir o calor dentro das tendas.

Mas para o dirigente guarani, os pequenos sofrimentos 'valem a pena' para conseguir que 'líderes indígenas de todo o Brasil se juntem para discutir e pressionarem sobre a questão da terra'.

A demarcação de novos territórios protegidos era a principal reivindicação destes povos, embora este ano tenham acrescentado a suas reivindicações a exigência de serem consultados antes que o Governo acometa obras de infra-estrutura cerca de suas reservas.

Esta nova inquietação surgiu depois que o Governo anunciou em janeiro a implementação de um ambicioso plano de desenvolvimento de infra-estruturas, que inclui a construção de diversas centrais hidroelétricas próximas a terras indígenas.

Os índios também expressaram a Lula sua preocupação com o grave problema de desnutrição infantil no estado do Mato Grosso do Sul e pelo avanço de doenças como a malária e a hepatite D na região amazônica.