Cassel afirma que sociedade está "cansada da retórica vazia" do MST

Agência JB

BRASÍLIA - Ao comentar nota divulgada pelo MST, que justifica a mobilização do movimento nos últimos dias, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, que a sociedade brasileira está ficando cansada da retórica vazia do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). O ministro afirmou que não é possível ter um diálogo franco entre o governo e os trabalhadores sem terra.

- Não só eu, mas toda a sociedade brasileira está ficando um pouco cansada dessa retórica vazia, que sempre vira as costas para a realidade, para justificar os seus atos. Todo mundo sabe, isso está em todo os documentos, em todos os balanços, que o governo federal, nos últimos quatro anos, investiu como nunca tanto em reforma agrária quanto em agricultura familiar - disse em entrevista à Agência Brasil.

Cassel reconheceu que o agronegócio recebeu investimentos, mas destacou que foi investido bastante na agricultura familiar.

- Talvez um dos méritos do primeiro governo Lula foi experimentar isso. Experimentar possibilidade de dois padrões de produção no campo conviverem ao mesmo tempo. O governo investiu e investiu muito no agronegócio, a chamada agricultura patronal, que respondeu com muita qualidade, gerou excedente de produção, gerou reservas, foi muito importante. O governo investiu muito na agricultura familiar, que respondeu também com enorme qualidade, enorme vitalidade - disse.

O ministro salientou que os investimentos durante o primeiro mandato do governo Lula foram de R$ 4 bilhões em compra de terra.

- Onde foram parar então os recursos em educação, os recursos em construção de estrada, e o Luz para Todos e a assistência técnica que hoje atingem 80% dos municípios? Isso é nada ou isso é alguma coisa importante? Senão a gente não consegue conversar com seriedade. Isso que me parece o grande problema, que eu acho que a sociedade está cansando da retórica vazia, da impossibilidade de um diálogo franco que tenha em conta os dados da realidade.

Na nota, o MST afirma ainda que o modelo agroexportador recebe vultosos investimentos em crédito dos bancos públicos e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e não paga quase nada em impostos, graças à Lei Kandir.