Brasil registra 17 mortes por trabalho escravo em canaviais

Agência EFE

SÃO PAULO - O Brasil registrou 17 mortes no setor açucareiro entre 2005 e 2006 como conseqüência do trabalho escravo, revelou nesta quinta-feira o relatório 'Direitos humanos no campo latino-americano: Brasil, Guatemala, Honduras e Paraguai'.

O relatório, divulgado pelo Movimento dos Sem-Terra (MST), pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), apontou que até março de 2007 eram conhecidos 288 casos de trabalho escravo na produção açucareira brasileira.

Sete dos 27 estados brasileiros estão em 'alerta' pela situação de trabalho em condições subumanas no campo. O setor em pior situação é o açucareiro, que responde também pela produção da matéria-prima para o etanol combustível.

O documento, apresentado pelas entidades brasileiras que trabalharam em associação com organizações sociais e publicações jornalísticas dos outros três países, informou que um trabalhador dá 10 mil golpes de facão por dia para cortar de 10 a 15 toneladas de cana.

Entre as ações de fiscalização, o relatório registra que o Brasil realizou 74 inspeções em usinas de álcool em 2006. Foram encontradas irregularidades de trabalho escravo em seis delas.

Outros países apresentaram também violações aos direitos humanos dos trabalhadores, mas a situação mais delicada foi constatada no Brasil.

Uma ação da Polícia libertou hoje, em duas operações diferentes, 115 pessoas que trabalhavam em situação de escravidão em empresas do setor agrário.

A primeira operação libertou 68 trabalhadores de uma usina de produção de etanol na localidade de Itaruma (GO), segundo divulgou o Ministério do Trabalho e Emprego numa nota de imprensa.

Os empregados, contratados no Maranhão, trabalhavam como plantadores e cortadores de cana-de-açúcar.

No Mato Grosso, a Polícia libertou outros 47 trabalhadores, empregados em dois latifúndios do mesmo proprietário.

Outros 583 empregados foram afastados de trabalho escravo durante os três primeiros meses do ano.

As condições de semi-escravidão (remuneração abaixo da média e abusos físicos) afetam também a mineração e a extração de madeira no Brasil.