Câmara analisa caso de deputada que seria citada em inquérito da PF

Agência Brasil

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), confirmou nesta quarta-feira ter encaminhado à Corregedoria da Câmara um ofício pedindo que se apurem informações divulgadas pela imprensa de que o inquérito da Polícia Federal relativo à Operação Hurricane, ou Furacão, conteria indícios contra a deputada Marina Magessi (PPS-RJ), policial licenciada.

- Temos de ter toda a cautela porque são processos em curso. A denúncia é grave, mas é preciso saber se há realidade na denúncia. Nem sempre as denúncias se confirmam - disse Chinaglia.

A solicitação foi entregue na última terça-feira e, segundo assessoria do corregedor-geral, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), já está sendo analisada. O pedido do presidente da Câmara se refere unicamente a conversas telefônicas grampeadas pela Polícia Federal e divulgadas pela imprensa.

No telefonema, confirmado pela deputada na semana passada, Magessi conversaria com outro policial, Hélio Machado, dando a entender que sugeria o assassinato do delegado da Divisão Anti-Seqüestro da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Alexandre Neto. A conversa ocorreu em outubro do ano passado, após a eleição de Maggessi. Na semana passada, ela declarou à imprensa que suas falas estavam sendo consideradas fora do contexto e que não havia ameaça de morte. Nesta quarta, o gabinete da deputada informou que ela não se pronunciaria sobre o tema e deve conceder coletiva à imprensa na próxima quinta-feira.

Segundo informações também veiculadas pela imprensa, o inquérito da PF teria apurado ainda que a deputada teria recebido doações irregulares de bicheiros durante a campanha eleitoral de 2006. Apesar de o pedido inicial de investigação não mencionar esses fatos, isso também deverá ser investigado pela corregedoria.

Se julgar que as denúncias são procedentes, o corregedor tem duas opções: recomendar à Mesa da Câmara a punição adequada, ou sugerir que o pedido seja arquivado. Não há prazo para a Corregedoria apresentar parecer sobre o caso.

O inquérito da PF relativo à Operação Hurricane corre em sigilo de Justiça. A operação foi deflagrada na última sexta-feira, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que atuava na exploração do jogo ilegal e cometia crimes contra a administração pública. Até agora, a operação resultou na prisão de 25 pessoas, entre empresários, advogados, policiais civis e federais, magistrados e um membro do Ministério Público.

Segundo o site do PPS na internet, o partido vai acompanhar o desenrolar das investigações sobre o caso de Maggessi e há desconfiança sobre o fato de apenas o nome da deputada ter sido envolvida no caso.