Agripino: governo usa ação da PF para desviar CPI

Portal Terra

BRASÍLIA - O líder do Democratas (ex-PFL) no Senado, Agripino Maia (RN), acusou o governo de divulgar a Operação Furacão apenas agora para tentar desviar o foco da CPI do Apagão Aéreo. Agripino alega que as investigações da operação estão em curso há mais de um ano, mas só apareceram na mídia neste momento devido à possibilidade eminente da instalação de uma CPI no Senado.

- Uma investigação que se arrasta há um ano e passa cinzas nos olhos da opinião pública desta maneira, na minha opinião, o governo guardou o momento para desviar a atenção da opinião pública. Por que a operação só apareceu agora? Pela perspectiva da CPI no Senado? - questionou o líder.

Agripino avalia ainda que a oposição continua mobilizada para instalar a CPI na Casa, apesar dos rumores de que o PSDB já admitiria abrir mão da mesma para haver uma Comissão apenas na Câmara. O senador Papaleo Paes (PSDB-AM), inclusive, assinou o requerimento de instalação de CPI hoje. Papaleo nega que tenha recebido alguma orientação de sua bancada para não assinar o documento.

Com a nova assinatura, sobe para 29 o número de apoios. São necessárias para a instalação 27. Agripino, no entanto, pretende esperar que mais seis parlamentares assinem o requerimento para dar força a CPI. O documento deve ser apresentado na mesa diretora apenas na quarta-feira.

Na opinião do líder do Democratas, uma CPI no Senado é importante para dar mais equilíbrio nas investigações.

- Precisamos de um equilíbrio de forças. Lá (Câmara), a proporção é de 3 para 1 para o governo, aqui é de mais ou menos 50%. Correríamos o risco de termos vários requerimentos negados lá - disse o senador. Agripino afirmou ainda que caso algum deputado da oposição peça para que os senadores abram mão da Comissão, ele reunirá a sua bancada para avaliar o que fazer.

A Polícia Federal prendeu na última sexta-feira 25 acusados de envolvimento com exploração de jogos ilegais, corrupção de agentes públicos, tráfico de influência e receptação, durante a Operação Hurricane (furacão em inglês) nos Estados do Rio de Janeiro e Bahia. Foram mobilizados 360 agentes em 94 viaturas para cumprir 25 mandados de prisão e 70 de busca e apreensão. Além do Rio e Bahia, as buscas e apreensões foram realizadas em São Paulo e Brasília.