Brasil tem de esperar Índia se vacinar e suprir Nepal, Bangladesh e Butão

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Se o Brasil quer dar sequência à campanha de vacinação, iniciada domingo pelo governador de São Paulo, João Dória, e antecipada de 4ª feira para hoje à tarde, por imposição do presidente Jair Bolsonaro, o presidente da República tem de mudar em 180 graus o seu posicionamento crítico em relação à China.

Diante do aviso da Índia, maior produtor de vacinas do mundo, através do Instituto Serum, de que o Brasil deve esperar até duas semanas para receber as 2 milhões de doses da vacinaAztraZeneca produzidas pelo Serum, pois o país do primeiro-ministro Norenda Modi, que iniciou a vacinação de seus 1,350 bilhão de habitantes no sábado, além de atender à demanda interna, vai dar prioridade aos países vizinhos, só resta bater às portas da China (2º produtor mundial) para o Brasil ter os insumos da AztraZeneca e da CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac.

O chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, avisou semana passada ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, que não podia entregar as 2 milhões de doses da vacina da AztraZeneca, que seriam envasadas no Brasil pela Fiocruz, antes de até duas semanas. Os noticiários de ontem e hoje do “Hindustan Times” e do “India Times”, trazem os detalhes que Araújo omitiu aos brasileiros, motivo da suspensão do voo do Airbus A330, que deveria voltar da Índia no sábado e nem sequer levantou voo de Recife. De lá foi deslocado às pressas, de volta a São Paulo, para levar oxigênio para Manaus...

Hoje, os jornais da Índia trazem reportagens do encontro do chanceler com o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Pradeep Kumar Gyawali, quando Jaishankar garantiu que a Índia, através do Serum, vai dar prioridade ao fornecimento de vacinas aos países vizinhos, a contar, o Nepal, que tem cerca de 28,5 milhões de habitantes, o reino do Butão (840 mil habitantes), Bangladesh, com 162,4 milhões de habitantes, Mianmar, com 53,7 milhões e as ilhas Maldivas, com pouco mais de 500 mil habitantes.

Ou seja, além de seus 1,350 bilhão de habitantes, a Índia vai dar prioridade ao cronograma de suprimento de vacinas para os vizinhos, que somam mais de 250 milhões de habitantes. Sorte do Brasil que a relação conflituosa com o Paquistão (país essencialmente muçulmano, que tem 300 mil habitantes a mais que o Brasil) e a ilha de Sri Lanka (país 22 milhões de habitantes e onde predomina a religião Tamil) deixariam uma cota futura para o Brasil. Mas há que tem paciência. Só que a marcha da Covid-19, não comporta a inércia.

Como não há sinais de aprovação da vacina da Jansen, da Johnson&Johnson, ou contratos com a Moderna e a Pfizer, o Brasil vai ter de se socorrer na China ou na Rússia. A decisão (extraoficial) do governo Bolsonaro, de aceitar a participação da chinesa Huawei no leilão de 5G, parece indicar o desespero, que levou à mudança tática. Afinal, a China é o maior comprador de bens do Brasil. Por que temos de seguir a birra de Donald Trump contra a China?
Com relação à Rússia, a negativa inicial da Anvisa ao pedido de licença da vacina Sputnik V, que já está sendo aplicada na Argentina e foi solicitada pela União Química, pode, perfeitamente, ser revista.

O Brasil está na base do: “Se não tem tu, vai tu mesmo”, ficando, por ora, apenas com o suprimento da CoronaVac, chinesa.