O fiasco da face militar do governo

O curto circuito é geral e desgasta a imagem do Exército e da Marinha. A Aeronáutica, apesar de animada com a chegada dos primeiros caças Gripen suecos, ainda está de asa baixa

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Com o duplo fiasco da gestão do general "especialista em logística" Eduardo Pazuello, no Ministério da Saúde, cuja face mais cruel é o risco de perda de 6,8 milhões de testes da Covid-19, por perda de validade, e ainda os 22 dias, mais de três semanas, de apagão de energia no Amapá, responsabilidade final do Ministério das Minas e Energia, comandado pelo almirante de esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior, o governo Bolsonaro conseguiu o improvável: desmoralizar as Forças Armadas, que dizia representar.

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O ministro da Saúde e o presidente da República em vídeo transmitido na internet (Foto: Foto: reprodução de vídeo)

Ao provocar a demissão sumária do general Santos Cruz, da Secretaria de Governo em junho de 2019, por uma intriga palaciana que forjou suposta mensagem desabonadora do general sobre o presidente Jair Bolsonaro, o governo mexeu com os brios das tropas, das quais Santos Cruz era dos grandes expoentes, por se destacar em árduas missões operacionais no Brasil e no mundo. Investigações posteriores teriam indicado o filho 02, vereador Carlos Bolsonaro, como o responsável maior pela intriga.

Parecia que com a ida do general Braga Neto para a Casa Civil, no lugar de Onyx Lorenzoni, e do general Luiz Eduardo Ramos, para a Secretaria de Governo, o prestígio dos militares no governo Bolsonaro estaria em alta.

Durou pouco. Há dois meses, o general Eduardo Ramos, que passou para a reserva remunerada do Exército, foi chamado de “maria fofoca” pelo ministro do Meio-Ambiente, Ricardo Salles.

E Eduardo Pazuello, que pegou a covid-19, foi destratado em live ao vivo pelo presidente Bolsonaro, enquanto estava ainda de repouso.

Agora, o curto circuito foi geral e desgasta a imagem do Exército e da Marinha. A Aeronáutica, apesar de animada com a chegada dos primeiros caças Gripen suecos, ainda está de asa baixa desde o envolvimento de oficiais no tráfico de drogas para a Espanha, no ano passado, usando o próprio avião presidencial.



O ministro da Saúde e o presidente da República em vídeo transmitido na internet
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