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País - Eleições 2018

Brasil escolhe o presidente no segundo turno com Bolsonaro como favorito

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Os brasileiros comparecem às urnas neste domingo para o segundo turno das eleições presidenciais, com o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro como favorito ante o candidato de esquerda Fernando Haddad.

Bolsonaro, capitão do Exército na reserva, 63 anos, deputado desde 1991, conseguiu capitalizar a decepção e a raiva de uma população abalada por anos de recessão e estagnação, assim como cansada com os escândalos de corrupção que abalaram quase todos os partidos.

Haddad, professor e ex-prefeito de São Paulo, 55 anos, foi designado candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) em substituição a seu líder histórico, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), que cumpre desde abril uma pena de 12 anos prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

No primeiro turno, em 7 de outubro, Bolsonaro recebeu 46% dos votos e Haddad 29%.

As últimas pesquisas, divulgadas na noite de sábado (27), mostram o candidato do Partido Social Liberal (PSL) com vantagem de oito a 10 pontos.

Haddad encurtou a distância de seu adversário nos últimos dias (em meados de outubro Bolsonaro tinha 18 pontos de vantagem sobre ele), mas a expectativa de uma eventual virada é pequena, afirmam analistas.

Mesmo assim, Bolsonaro pediu a seus seguidores para não baixarem a guarda.

"As eleições não estão ganhas. Não podemos relaxar", afirmou em um vídeo publicado no Facebook.

Haddad recebeu apoios importantes depois que Bolsonaro, um nostálgico da ditadura militar (1964-85), ameaçou seus adversários de esquerda: "Ou vão pra fora ou vão para a cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria", disse

Em um local de votação diante da praia de Copacabana, Elias Chaim, estudante de Engenharia e produtor musical, 223 anos, que anulou o voto no primeiro turno, decidiu votar em Haddad.

"Não estou muito animado porque não gosto realmente de nenhum dos dois candidatos. No primeiro turno anulei meu voto mas hoje quero votar Haddad porque o discurso de ódio e intolerância do Bolsonaro representa um risco para o nosso país", afirmou.

Teresinha Kanzler Barbosa, uma advogada aposentada de Brasília, votará em Bolsonaro: "Tem que haver mudança no pais. Chega de mesmismo. Eu acho que o Bolsonaro é a opção de mudança e se Deus quiser ele vai ser um bom presidente".

 

O crescimento de Haddad acontece com base nos milhões de brasileiros beneficiados das políticas de inclusão social de seu padrinho político.

Mas esta identificação também trouxe consigo o índice de rejeição, já que para outros milhões de eleitores, Lula e PT são sinônimos de esquemas financeiros turvos para permanecer no poder.

Uma rejeição comparável apenas à do próprio Bolsonaro, que ao longo de seus 27 anos no Congresso ficou conhecido mais por suas declarações misóginas, racistas e homofóbicas do que por seus escassos projetos legislativos.

No entanto, o candidato do PSL conseguiu despertar compaixão após levar uma facada no abdômen de Adélio Bispo de Oliveira, ex-filiado ao PSOL, durante um comício em 6 de setembro em Juiz de Fora (MG).

Seu estado de saúde o privou de participar de atos públicos, apesar da ativa presença nas redes sociais, sua arma favorita, sem participar de nenhum debate com seu adversário.

Bolsonaro fez campanha com propostas como liberar o porte de armas para combater a insegurança galopante ou travar uma guerra sem trégua contra a corrupção.

Mas uma pesquisa do Datafolha, publicada em 20 de outubro, mostrou que a proposta sobre as armas só é mencionada por 17% de seus eleitores como motivo para apoiá-lo, e a luta contra a corrupção, por 10%. O desejo de renovação e o repúdio ao PT somam, ao contrário, 55%.

Do lado de Haddad, as maiores mobilizações se deram sob o lema "Ele não", organizadas por mulheres indignadas com a provável chegada ao poder de um deputado que disse à colega Maria do Rosário (PT-RS), que ela não merecia ser estuprada por ser "muito feia".

No começo do mês, outra pesquisa do mesmo instituto mostrou que 88% dos brasileiros se sentem inseguros no país; 79%, trises com a situação do país; 78%, desanimados; 68%, com raiva, e 62%, com medo do futuro.

Em caso de vitória, o guru econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, tentará lançar um programa de privatizações para reduzir a dívida e reativar a economia, que vem de dois anos de recessão e mais dois de crescimento fraco.

Mas diante das resistências em seu próprio campo, Bolsonaro teve que esclarecer que só vai privatizar atividades periféricas da Petrobras ou da Eletrobras.

O vencedor terá que governar com um Congresso com partidos debilitados pelos escândalos e dominado pelos lobbies conservadores do agronegócio, das igrejas evangélicas e dos defensores do porte de armas.

A votação começou às 8H00 e terminará às 19H00 (de Brasília) no estado do Acre. Os resultados devem ser conhecidos pouco mais de uma hora depois do fechamento das últimas zonas eleitorais.

O candidato eleito substituirá em 1º de janeiro de 2019 Michel Temer, o presidente mais impopular desde o retorno da democracia, que assumiu o poder em 2016 após o impeachment de Dilma Rousseff, do PT, em um processo no qual ela foi acusada de manipulação das contas públicas.

bur-js

 



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