Jornal do Brasil

País - Eleições 2018

Com a palavra, o eleitor: Nome do político que vai presidir o Brasil será conhecido hoje

Jornal do Brasil

Chegou o dia da decisão. Milhões de brasileiros voltam às urnas hoje para escolher o futuro presidente da República, que assumirá o posto no dia 1° de janeiro de 2019. O favorito é, sem dúvida, o deputado Jair Bolsonaro, candidato do PSL, que, por pouco mais de 3 pontos percentuais deixou de decidir a disputa no primeiro turno. De tão confortável que esteve nas pesquisas de intenção de voto, o capitão reformado fez toda a campanha do segundo turno em sua casa, na Barra da Tijuca. Nas poucas vezes que saiu, foi para gravações na casa do empresário Paulo Marinho. Afinal de contas, para que fazer marola? Nos últimos dias, preocupou-se em desfazer o clima de já ganhou. No outro canto do ringue, está o petista Fernando Haddad, que apesar de uma campanha atribulada e tardia, não entregou os pontos. Mantém-se confiante em grande parte pelo apoio histórico que seu partido tem no Nordeste. Se não recebeu apoio de políticos como Fernando Henrique Cardoso e Ciro Gomes, Haddad conseguiu mobilizar o meio universitário, principalmente depois que juízes eleitorais mandaram retirar faixas contra o fascismo dos prédios de faculdades. Segundo especialistas, as chances de virada do ex-prefeito de SP são pequenas. A última palavra está com os eleitores. Mas Fernando Haddad foi muito mais longe do que esperava a própria cúpula do PT.

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JAIR BOLSONARO

Edla Lula

edla.lula@jb.com.br

Uma estocada no abdômen foi o ponto de partida da estratégia adotada pela campanha de Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno dessas eleições presidenciais. Desde o dia 6 de setembro, quando Adélio Bispo de Oliveira atingiu o candidato com uma facada, durante um ato em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro decidiu fazer sua campanha de casa, primeiro por recomendação médica, depois por estratégia política.

A julgar pelas pesquisas de intenções de voto, a tática deu certo, uma vez que o candidato conseguiu sustentar a vantagem sobre Fernando Haddad. Pelas redes sociais, seu principal campo de mobilização, o presidenciável passou a fazer comunicação direta com o eleitor. Recusou-se a participar dos debates em veículos de comunicação e até mesmo em associações empresariais. Escolheu os canais para os quais daria entrevistas, priorizando os mais afinados com suas ideias.

Macaque in the trees
Bolsonaro durante entrevista coletiva (Foto: Fabio Motta; Danilo M. Yoshioka/AE)

Blindado, Bolsonaro conseguiu disseminar o discurso, sem ter sua fala confrontada diretamente. Alcançou visibilidade na imprensa tradicional a cada vez que, no Twitter, desautorizou falas de seus colaboradores mais diretos, como o vice-presidente na chapa, coronel Hamilton Mourão e o seu próprio filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Assim, falando direto ao eleitor sobre temas que estavam na agenda dos jornalistas, manteve-se presente também nos noticiários.

Ele fez da própria casa, na Barra da Tijuca, o comitê de campanha. Verdadeiras filas se formavam na entrada do condomínio para que correligionários e articuladores pudessem entrar. Até mesmo a celebração da vitória no primeiro turno foi feita pelo canal de YouTube da campanha, embora houvesse um salão de hotel em frente à sua residência reservado para o discurso do candidato.

Com crescimento nas pesquisas, Bolsonaro chegou a declarar que estava “com a mão na faixa presidencial”. A campanha passou a desenhar a montagem do ministério e ele destacou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), como articulador das negociações entre os partidos políticos. Onyx já se encontrou com o ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, para encaminharem o governo de transição.

Bolsonaro é o franco favorito, mas, esta semana, a luz amarela acendeu, pois as pesquisas mostraram crescimento de Haddad, encurtando a distância entre os dois. Bolsonaro pôs fim ao clima de já ganhou e pediu empenho a seus militantes até o último momento.

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FERNANDO HADDAD

Katia Guimarães

katia.guimaraes@jb.com.br

O candidato do PT, Fernando Haddad, chega ao dia decisivo lutando até o último minuto por uma virada, com base na mudança do cenário nas intenções de votos na capital de São Paulo. A ofensiva contra seu rival Jair Bolsonaro, do PSL, começou a surtir efeito depois que o ex-prefeito partiu para o ataque agressivo, desconstruindo o mito criado em torno do capitão reformado. Nos últimos dias, a campanha eleitoral saiu do WhatsApp e ganhou as ruas. No tête a tête, micro eventos se multiplicaram em praças, rodoviárias e metros pelas cidades com participação de voluntários e até de atores globais pedindo votos em favor de Haddad.

As ações policiais em diversas universidades do país contra faixas antifascismo foi a gota d’água para atiçar estudantes e professores em defesa da liberdade de expressão. Na sexta-feira, vários atos foram realizados nas capitais em defesa da candidatura de Haddad e contra Bolsonaro.

Macaque in the trees
Haddad em caminhada no Bairro de Heliópolis em São Paulo (Foto: Fabio Motta; Danilo M. Yoshioka/AE)

Alçado candidato do PT faltando menos de 30 dias para o primeiro turno, Haddad viu suas intenções de votos disparar, pulando do quinto para o segundo lugar nas pesquisas. Antes disso, o petista vinha viajando pelo país em defesa da candidatura do ex-presidente Lula. Oficializado, foi preciso mostrar que “Haddad é Lula, e Lula é Haddad”. Até aí, a arriscada estratégia petista de ir ao limite com a candidatura do ex-presidente parecia ser exitosa.

O resultado do primeiro turno, no entanto, foi um baque para a campanha petista que viu Jair Bolsonaro abrir 17 pontos de vantagem na votação do domingo 7 de outubro, obtendo 46% dos votos válidos e Haddad 29%. O resultado mostrava que o ex-prefeito havia perdido espaço para Bolsonaro no Nordeste, região onde o PT sempre foi forte. Outro entrave fooi o voto dos evangélicos. ram os evangélicos. A tentativa de formar uma frente ampla democrática fracassou quando Ciro Gomes, do PDT, negou apoio explicito. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também se limitou a criticar Bolsonaro.

Na campanha petista, hoje, existe expectativa de virada, mas sem certeza. Acredita-se que a força das ruas pela democracia pode fazer toda a diferença. Esse movimento ocorre justamente quando o candidato do PT acertou o tom contra seu rival e a estratégia de pegar pesado deu certo. A onda veio, e se Haddad não levar, vai se indagar, certamente, se o candidato petista não foi prejudicado pela demora em ser lançado e e também pelo atraso nos ataques a Jair Bolsonaro.

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Visita de Malafaia

Em sua conta no Twitter, o candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, agradeceu, ontem, a seus eleitores pela hashtag #MudaBrasil17 estar em evidência no Brasil e no resto do mundo. “Obrigado pelo apoio com a hashtag #MudaBrasil17. Primeiro lugar no Brasil e segundo no mundo!”, escreveu o candidato.

Ele permaneceu em casa, na Barra da Tijuca, e recebeu a visita do pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Sgundo Malafaia, na casa do candidato, não há festa nem clima de “já ganhou”. “Ele sabe que só se ganha depois que se contam os votos. (Tem de seguir) trabalhando e tudo. Tem que esperar. A eleição não é a gente que diz que está decidido. É o povo que decide no voto”, disse Malafaia após o breve encontro. Influente no meio evangélico, o pastor tem relação antiga com Bolsonaro e celebrou o casamento do deputado com a atual esposa, Michelle, que é evangélica.

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Apoio de Barbosa

Em seu último ato de campanha antes da eleição o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, comemorou o apoio recebido do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. Sem citar nominalmente Ciro Gomes (PDT), Haddad lamentou que outros “democratas” não tenham tido a mesma “coragem”.

“O apoio do Joaquim Barbosa é muito significativo. Ele tem uma representação muito forte e representa valores dos quais eu compartilho”, disse Haddad, antes de fazer uma caminhada pela favela de Heliópolis, em São Paulo.

Barbosa foi o algoz de petistas como José Dirceu e José Genoíno no julgamento do mensalão. No início, a campanha pelo segundo turno, Haddad visitou em Brasília o ex ministro, que é filiado ao PSB. O encontro alimentou rumores de que Barbosa poderia ser seu ministro da Justiça.



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