Jornal do Brasil

País - Eleições 2018

Bolsonaro mais perto do Planalto, conduzido pela raiva do eleitor

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Os brasileiros elegem neste domingo o presidente que vai comandar a maior economia da América Latina nos próximos quatro anos, depois de uma dura campanha, dominada pela raiva e magnetizada pelo candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro (PSL), favorito nas pesquisas.

Capitão do Exército na reserva, Bolsonaro, de 63 anos, disputará o segundo turno com Fernando Haddad, do PT, de 55 anos. No primeiro turno, em 7 de outubro, eles tiveram, respectivamente, 46% e 29% dos votos.

As últimas pesquisas, divulgadas na noite deste sábado (27), mostram Bolsonaro com vantagem de oito a dez pontos sobre Haddad: 54% a 46% segundo o Ibope e 55% a 45% pelo Datafolha.

Haddad encurtou a distância de seu adversário nos últimos dias (em meados de outubro Bolsonaro tinha 18 pontos de vantagem sobre ele), mas terá faltado tempo para uma eventual "virada", afirmam analistas.

Mesmo assim, Bolsonaro pediu a seus seguidores para não baixarem a guarda.

"As eleições não estão ganhas. Não podemos relaxar. Sei que tem gente que tem dificuldade para ir votar. Vai no sacrifício, sai mais cedo para votar. Não vamos dar oportunidade para o outro lado dizer 'ganhamos'", disse a seus seguidores em transmissão pelo Facebook.

As primeiras seções eleitorais abrirão às 08H00 e as últimas vão fechar às 19H00, por causa do fuso horário em algumas regiões. Os resultados devem ser conhecidos pouco mais de uma hora após o fechamento das últimas seções no segundo turno das eleições, para as quais estão habilitados a votar 147,3 milhões de eleitores.

Quem for eleito substituirá em 1º de janeiro de 2019 o conservador Michel Temer, o presidente mais impopular desde o retorno à democracia, que assumiu o cargo em 2016 após o impeachment de Dilma Rousseff, afilhada política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusada de manipulação das contas públicas.

 

 

O petista também recebeu apoios importantes, sobretudo depois que no domingo passado seu adversário, um nostálgico da ditadura (1964-85), ameaçou com violência seus adversários de esquerda.

"Pela primeira vez em 32 anos de exercício do direito de voto, um candidato me inspira medo. Por isso, votarei em Fernando Haddad", tuitou neste sábado o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que conduziu em 2005 o julgamento do "Mensalão", primeiro grande esquema de corrupção que resultou na prisão de importantes líderes petistas.

O ex-prefeito de São Paulo foi designado candidato apenas em setembro, em substituição ao ex-presidente Lula (2003-2010), com a candidatura impugnada, e que cumpre pena de 12 anos de prisão por corrupção.

Seu deslanche se deu com base nos milhões de brasileiros beneficiados das políticas de inclusão social de seu padrinho político.

Mas esta identificação também trouxe consigo o índice de rejeição, já que para outros milhões de eleitores, Lula e PT são sinônimos de esquemas financeiros turvos para permanecer no poder.

Uma rejeição comparável apenas à do próprio Bolsonaro, que ao longo de seus 27 anos no Congresso ficou conhecido mais por suas declarações misóginas, racistas e homofóbicas do que por seus escassos projetos legislativos.

No entanto, o candidato do PSL conseguiu despertar compaixão após levar uma facada no abdômen de Adélio Bispo de Oliveira, ex-filiado ao PSOL, durante um comício em 6 de setembro em Juiz de Fora (MG).

Seu estado de saúde o privou de participar de atos públicos, apesar da ativa presença nas redes sociais, sua arma favorita, sem participar de debate com seu adversário.

Bolsonaro fez campanha com propostas como liberar o porte de armas para combater a insegurança galopante ou travar uma guerra sem trégua contra a corrupção.

Mas uma pesquisa do Datafolha, publicada em 20 de outubro, mostrou que a proposta sobre as armas só é mencionada por 17% de seus eleitores como motivo para apoiá-lo, e a luta contra a corrupção, por 10%. O desejo de renovação e o repúdio ao PT somam, ao contrário, 55%.

Do lado de Haddad, as maiores mobilizações se deram sob o lema "Ele não", organizadas por mulheres indignadas com a provável chegada ao poder de um deputado que disse à colega Maria do Rosário (PT-RS), que ela não merecia ser estuprada por ser "muito feia".

No começo do mês, outra pesquisa do mesmo instituto mostrou que 88% dos brasileiros se sentem inseguros no país; 79%, trises com a situação do país; 78%, desanimados; 68%, com raiva, e 62%, com medo do futuro.

 

 

Bolsonaro anunciou que, como presidente, trabalharia por uma aproximação com o contraparte americano, Donald Trump, particularmente acentuando a pressão sobre o regime socialista da Venezuela, em pleno marasmo econômico e social. Haddad quer, ao contrário, reforçar as relações Sul-Sul, e adverte para o risco de uma "corrida armamentista" na região.

Em caso de vitória, o guru econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, tentará lançar um programa de privatizações para reduzir a dívida e reativar a economia, que vem de dois anos de recessão e mais dois de crescimento fraco.

Mas diante das resistências em seu próprio campo, Bolsonaro teve que esclarecer que só vai privatizar atividades periféricas da Petrobras ou da Eletrobras e descartou a participação de grupos estrangeiros na geração de energia.

O vencedor terá que governar com um Congresso com partidos debilitados pelos escândalos e dominado pelos lobbies conservadores do agronegócio, das igrejas evangélicas e dos defensores do porte de armas.

 

 



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