Jornal do Brasil

País - Eleições 2018

Pesquisa interna no PT indica que diferença entre Bolsonaro e Haddad caiu para 4 pontos

Segundo coordenador de campanha, candidato do PSL tem 52% contra 48% do petista

Jornal do Brasil EDLA LULA, edla.lula@jb.com.br

O ex-ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, um dos coordenadores da campanha presidencial de Fernando Haddad (PT) comentou há pouco que pesquisas internas do partido apontam diferença de quatro pontos percentuais entre Haddad e Jair Bolsonaro (PSL) nas intenções de voto na manhã este sábado. Segundo Carvalho, Bolsonaro aparece na pesquisa com 52% contra 48% de Haddad. “Os nossos trackings estão dando quatro pontos de diferença ainda, mas a curva é ascendente. Estamos passando hoje por um processo de abordagem das pessoas nas ruas. Por isso, posso dizer que o resultado das votações amanhã é absolutamente imprevisto”, disse Carvalho, no seminário Diálogos em Construção, promovido pelo Observatório de Justiça Socioambiental (OLMA), ligado aos padres jesuítas de Brasília, que discutiu “a governabilidade no período pós-eleitoral”.

O ex-ministro, que ainda acredita na virada de votos no último dia de campanha, disse que o PT errou na semana seguinte às votações de primeiro ao esperar a definição de apoios de partidos no segundo turno. “Tivemos um erro grave no início do segundo turno, quando paramos uma semana a espera de vir ou não vir apoio. O Lula mandou um pito de Curitiba porque deixamos de ganhar apoio nas ruas para aguardar os partidos”.

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Gilberto Carvalho (Foto: Divulgação)

Outro problema com o qual o PT encontrou dificuldade em combater, na avaliação de Gilberto Carvalho, foi a propagação das fake news. “É como você estar numa guerra usando armas tradicionais e cruzar com um exército que usa armas químicas. Você nem sabe por onde está sendo atingindo”.

Ele lamentou que a estratégia supostamente usada pelo opositor tenha conseguido alcançar especialmente as classes mais populares. “O triste é que essas foram as classes mais beneficiadas pelos governos do PT. Esse é o nosso público, é a nossa paixão, o que mobiliza o nosso coração, mas foi apartado de nós por essa onda de fake news”.

Para Carvalho, no entanto, a campanha conseguiu corrigir a rota nas duas últimas semanas e “acertou-se a linha”. Já no final do primeiro turno, criou o site e número de WhatsApp para coletar denúncias e passou a entrar com ações contra a campanha do opositor no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por divulgar fake news. “Além disso, a gente tratou de correr atrás e fazer essa reversão. Fizemos a convocatória pra irmos nos bairros, irmos às ruas, falar com o povo e apresentar propostas mais claras e mais efetivas para as suas vidas”.

O cientista político Benedito Tadeu Cesar, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRG), outro palestrante no seminário, avaliou que o cenário da última semana mudou e não permite projetar o vitorioso. “A eleição está em aberto ainda. Ela só vai se definir amanhã. Mas seja qual for o resultado, vai ser muito diferente daquilo que se esboçava até a semana passada. A diferença não vai ser tão grande como se dizia”. Ele destacou o despertar da juventude nesta reta final. “a gurizada foi para a rua. Isso é muito importante. Houve um despertar da juventude. Mesmo que as forças conservadoras avancem, vai ser difícil para elas governar”.

Tadeu Cesar citou a reação de estudantes às ocupações das faculdades, por juízes eleitorais, ocorridas nesta sexta-feira. “A situação que se viu ontem (26), em quase 40 universidades invadidas para reprimir professores e estudantes porque faziam atos em defesa da democracia e numa iniciativa do Ministério Público e órgãos da justiça deixou a impressão de que não se tem mais as garantias democráticas no país. Isso mobilizou a classe estudantil”, disse.

O ex-ministro de Lula acrescentou que para uma eventual vitória de Jair Bolsonaro, o PT já começou a negociar com outros partidos e movimentos sociais, uma “frente democrática de resistência”. Carvalho informou que serão criados comitês de defesa da democracia para “trabalhar muito fortemente numa resistência democrática”.



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