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País - Eleições 2018

'Doria não se preparou para ser candidato a governador', diz França

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Vice-governador de São Paulo e candidato ao governo nas eleições deste ano, Márcio França (PSB) voltou a classificar o seu adversário, João Doria (PSDB), como traidor da capital paulista e menos capacitado que ele para a vaga do Palácio dos Bandeirantes, em entrevista na manhã deste sábado (27) à rádio Jovem Pan.

Segundo França, que deu a entrevista por telefone à radio paulistana por estar se recuperando de uma pneumonia nos dois pulmões, falta palavra ao tucano, que prometeu aos cidadãos de São Paulo que terminaria seu mandato como prefeito e não cumpriu a promessa. "Não sou obrigado a dar a palavra para ninguém, mas no momento em que você dá a palavra... Para que fala isso, então? Na iniciativa privada ele pode falar isso, mas do ponto de vista público é uma falta grave", disse França. "É inegável que o João Doria está com uma rejeição grande na capital."

Ao abordar a relação de Doria com o tucanato, assunto que vem sendo explorado na campanha, França aproveitou para alfinetar novamente o adversário e disse que Geraldo Alckmin (PSDB) e sua família inteira não devem ter votado em Doria.

"As pessoas se revelam. No dia da eleição (do primeiro turno), Doria disse que ia fazer um voto solidário ao Alckmin", afirmou França, explicando que esse "voto solidário" já dava a entender que Doria estava contando com Alckmin fora do segundo turno. "Doria não acumula muitas amizades", comentou

A própria escolha de Doria como candidato ao governo tornou-se, segundo França, um problema para o próprio tucano. "Doria não se preparou para ser o candidato a governador. Ele não tem noção dos números do Estado, tem muita dificuldade. Porque estava ocupando o cargo de prefeito, insuflaram ele com essa história de ser candidato a presidente, depois topou ser vice, e acabou sobrando com a disputa de governador."

Na entrevista à rádio, França defendeu a sua experiência na política, incluindo a vice no governo do Estado, para derrotar Doria. "São Paulo é um desafio, são 645 cidades." E completou que o fato de Doria ter ficado só dois anos na Prefeitura não o deixou fazer uma gestão por inteiro. "Tudo o que é inconsistente acaba não dando certo. Ele fez 3 km de faixa de ônibus, prometeu não sei quantos mil quilômetros, mas não deu tempo. Se ele tivesse ficado, pode ser que desse tempo. Como a história da Cracolândia. Dizer que não tem mais morador de rua em São Paulo, meu Deus do céu..."

Instado a declarar seu voto para presidente, já sendo o de Doria abertamente declarado em Jair Bolsonaro (PSL), França preferiu novamente se manter neutro. Disse que defendeu isso na cúpula do partido, que não tem vínculo de amizade com nenhum dos candidatos nacionais e que o desafio de quem quer que ganhe será o de governar para todos, independentemente do espectro político. Mas fez questão também de tentar desvincular a marca de petista que Doria vem tentando imprimir nele nas propagandas de rádio e TV.

"Se eu tivesse esse vínculo (com o PT), ele apareceria. Eu derrotei o PT na minha cidade, ganhei do PT. Depois vim apoiar o Doria contra o (Fernando) Haddad aqui em SP (em 2016)", disse. "Agora, tem gente no meu partido que apoia Haddad, assim como no partido deles (o PSDB)."

Antes de encerrar a entrevista, França aproveitou para alfinetar o estilo de vida do tucano, primeiro dizendo que, se ele ganhar, restará "zero rancor, zero mágoa". Mas completando que vivem "em ambientes diferentes". "Apenas não me interessa essa história do caviar. (...) Para você ter dinheiro, você precisa ter mais dinheiro para manter esse dinheiro. Tem que ter ambição. E eu não tenho."

Pneumonia

Márcio França está com pneumonia nos dois pulmões. O estado de saúde do candidato está sendo acompanhado pela equipe médica do Palácio dos Bandeirantes. Ele já está tomando antibióticos.

Na entrevista à Jovem Pan, França comentou: "A pneumonia veio pesada, pegou os dois pulmões, minha mulher falou que, se eu sair, não volto mais. Eu tinha uma 'bicicletada' prevista em Santos, hoje está chovendo, não vou conseguir fazer. Mas vou lá descer (para o litoral) porque vou ver minha mãe, todo ano eu vou. É dia de São Judas, meu pai era devoto, eu vou lá visitar a igreja de São Judas. (...) A gente relaxou na campanha, acabou que pegou os dois pulmões".

Médicos do Palácio dos Bandeirantes recomendaram ao candidato repouso. Neste sábado, 27, ele irá a São Vicente, no litoral paulista, almoçar com a mãe e retorna a São Paulo no fim de tarde.

 



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