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País - Eleições 2018

Campanha de rua tenta convencer indecisos a não votar em Bolsonaro

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"Vai votar em branco ou nulo? Vamos conversar?". Os defensores do candidato Fernando Haddad tentam convencer os pedestres indecisos nas ruas brasileiras para superar a desvantagem do petista nas pesquisas, que apontam a vitória de Jair Bolsonaro.

Eles não têm muito tempo e a diferença ainda é grande, embora nos últimos dias tenha diminuído um pouco: Bolsonaro tem 56% das preferências e Haddad conta com 44%.

A idéia, então, é bater um papo na rua com um eleitor indeciso para tentar convencê-lo a não favorecer a vitória do capitão do Exército.

Qualquer lugar é bom: uma rua, uma praça, a saída do metrô ou a de um hospital.

"As pessoas precisam conversar com outras pessoas porque às vezes elas não têm acesso a nenhuma informação, por isso estamos tentando convencer aqueles que votam nulos a finalmente votar em Haddad", explicou Ulyses Santos à AFP.

"Nessa situação, a votação nula está dando muita força a Bolsonaro", diz o estudante de Direito de 21 anos, no Rio de Janeiro.

Grupos de artistas foram adicionados à tarefa e, em alguns pontos, enquanto os voluntários conversam com pedestres, os palhaços animam o ambiente ou os atores fazem coreografias e gritam slogans como: "Democracia, urgente, presidente Haddad" ou "Mais amor, menos ódio".

"Eu tinha duas opções: uma clara, não votar em Jair Bolsonaro, a outra era anular ou votar em Haddad, reforcei a idéia de votar em Haddad", afirma Marcos Heleno, um metalúrgico de 39 anos, após uma dessas conversas de rua.

 

 

No centro de São Paulo, Marcos Antonio Melo também decidiu parar para conversar, embora continuasse em dúvida.

"Estou pensando o que fazer, um é ex-militar e estou com um pouco de medo, mas o outro é do PT e eu não sou partidário do PT porque todos esses anos o governo do PT poderia ter feito muito pelo Brasil e só fez por outros países", explicou à AFP.

"Vou pensar, tenho essa dúvida porque vivi a ditadura militar e não quero que o Brasil volte a isso", acrescenta o aposentado de 61 anos, que no primeiro turno voltou em Geraldo Alckmin.

Ana Garbelini, uma bancária de 42 anos, é quem acaba de conversar com Melo para tentar convencê-lo a não votar em Bolsonaro.

"Vir às ruas para conversar com as pessoas está ajudando, muitas indecisos param, ouvem, tenho uma expectativa positiva", afirma.

Ela diz que os mais difíceis de convencer são os eleitores tradicionais da direita e explica que muitas pessoas têm "preconceitos" sobre o PT, o partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e volvido em escândalos de corrupção e responsável recessão econômica.

Eleitora do PT há anos, Garbelini decidiu sair e procurar os indecisos após o primeiro turno, em que Haddad obteve 29% dos votos contra 46% da extrema direita.

A abstenção no primeiro turno foi então de 20% do registrado. Houve também 10% de votos nulos ou em branco, que não são considerados votos válidos no sistema eleitoral brasileiro.

Gerbelini sabe o que a motivou.

"Estou com muito medo desse candidato. Bolsonaro é um retrocesso", afirma a eleitora a respeito do deputado que promove a flexibilidade no porte de armas e que declara que "o erro da ditadura foi torturar e não matar".

 

 

Edvia Aguilar, enfermeira aposentada de 61 anos, também procura convencer "os desencantados com a política". Ela é muito animada ao tentar iniciar a conversa com os pedestres, embora alguns deles virem a cara ou acelerem o passo quando a veem.

"Algumas pessoas ficam com raiva", diz ela.

Perto dali, um pedestre, Rivael Beltrão, levanta a voz acima do barulho ambiente em frente ao teatro municipal de São Paulo e exclama: "Eles só querem que o comunismo continue!"

"Aqui eles falam de liberdade, mas o pessoal do PT quer censurar a imprensa e mudar a Constituição!", assegura à AFP o empresário de 45 anos depois de recusar vários panfletos petistas, reafirmando seu voto em Bolsonaro.

"Precisamos de uma mudança", enfatiza.

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