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País - Eleições 2018

PSL dá força a 'Centrão' na Assembleia de São Paulo

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Seja João Doria (PSDB) ou Márcio França (PSB), uma coisa é considerada certa na Assembleia Legislativa de São Paulo: o próximo governador paulista não terá uma base aliada tão ampla como a de seus antecessores e precisará negociar com uma espécie de Centrão para conseguir aprovar projetos de seu interesse a partir de 2019.

Parlamentares afirmam que o declínio de PSDB e PT no Estado, que eram as duas maiores forças e encolheram no Legislativo, o crescimento do partido de Jair Bolsonaro (PSL), que elegeu a maior bancada da Casa, com 15 deputados, e a fragmentação partidária - são 12 siglas com um ou dois deputados eleitos - resultarão na formação de um grande bloco independente que será decisivo nas votações de projetos em plenário e nas comissões internas.

Soma-se a isso a aprovação da chamada emenda impositiva, que passou a vigorar neste ano e reduziu a dependência política dos deputados estaduais em relação ao Executivo. Se antes eles precisavam negociar com o governo a liberação das emendas parlamentares - R$ 4,7 milhões para cada um dos 94 deputados indicar em obras e programas em seus redutos -, agora todas são obrigatoriamente executadas pelo governo no mesmo ano.

Há um projeto na pauta para elevar esse valor para cerca de R$ 9 milhões.

"A Alesp não vai ser mais o quintal do Palácio dos Bandeirantes, pode esquecer. Seja quem for o vencedor, Márcio França ou João Doria, vai ter de negociar com o bloco. A partir de 2019, a Assembleia vai ter um Centrão formalizado. E isso não é ruim, não. Vamos garantir a democracia na Casa e mostrar a força que têm os deputados estaduais. O próximo governador não terá mais a influência que Geraldo Alckmin já teve por aqui. Aquela maioria esmagadora não vai se repetir, pelo bem da população do Estado", afirma o deputado Delegado Olim (PP), reeleito neste ano.

Segundo ele, essa nova composição de forças já se manifestará na disputa para a presidência da Alesp, em março do ano que vem, já que o provável Centrão tentará eleger o presidente. Desde 1995, quando o PSDB assumiu o governo do Estado com Mário Covas, é tradição no Legislativo que o comando da Casa fique com um deputado do partido do governador. A única exceção aconteceu no biênio 2005-2007, quando Rodrigo Garcia (DEM), atual vice na chapa do candidato João Doria e filiado ao PFL à época, derrotou o tucano Edson Aparecido. O governador era Geraldo Alckmin (PSDB).

Coligações

Os seis partidos da coligação de Doria elegeram 27 deputados, enquanto os 14 partidos da coligação de França fizeram 28 cadeiras na Alesp, ou seja, pouco mais da metade dos 48 votos necessários para aprovar uma lei no Legislativo. Por isso, quem vencer precisará negociar com o Centrão, que tende a aglutinar as "bancadas" de um deputado só e até mesmo as siglas que integraram uma das duas coligações.

"Essa base com 70 deputados não tem mais como existir porque ficou muito fragmentado. Vai ser muito diferente de tudo e vai exigir uma habilidade muito grande de quem for o líder do governo para negociar os projetos", diz o deputado Carlão Pignatari (PSDB).

O PSDB de Doria foi o partido que mais encolheu na Alesp. A bancada tucana caiu de 19 para oito deputados. Caso eleito, o ex-prefeito deve ter uma oposição fixa de pelo menos 23 parlamentares do PT, PSOL, PCdoB, PSB e PDT. Por outro lado, tem como trunfo para tentar atrair o PSL o apoio dado a Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição e a proximidade com parlamentares do maior partido da Casa.

Já França viu seu PSB perder três cadeiras, de 11 para oito, e mesmo se os partidos que o apoiaram no segundo turno, como MDB, PDT e PT, integrarem sua base, só conseguirá 42 votos. O atual governador, caso reeleito, terá oposição certa de 19 deputados do PSDB, DEM e Novo. Na campanha, França recebeu o apoio ainda de cinco deputados estaduais do PSL e do presidente estadual do partido e senador eleito, Major Olímpio.

"Há muitas dúvidas sobre como a nova Alesp vai se posicionar com essa pulverização de partidos. O PSL, por exemplo, é uma incógnita", diz o deputado eleito Paulo Fiorilo (PT). "Se Doria vencer, é certo que o PT fará oposição. Se for o França, pode haver um debate sobre um eventual apoio crítico." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 



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