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País - Eleições 2018

Bolsonaro sugere políticos do DEM em eventual gestão

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O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, indicou que, se eleito, poderá compor seu primeiro escalão com nomes do DEM além do deputado Onyx Lorenzoni (RS), já apresentado como virtual ministro da Casa Civil. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Bolsonaro disputa o segundo turno da eleição para o Palácio do Planalto com Fernando Haddad, do PT.

Em encontro na terça-feira, 23, com 32 representantes da Frente Parlamentar da Segurança Pública, o capitão reformado disse que levará para seu eventual governo dois deputados do DEM que não se reelegeram: Alberto Fraga (DF), atual líder da "bancada da bala" no Congresso, e Pauderney Avelino (AM).

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Jair Bolsonaro (Foto: Mauro PIMENTEL / AFP)

Bolsonaro prometeu durante a campanha formar uma equipe de primeiro escalão técnica, livre de indicações políticas e interferência partidária.

Os deputados negam que existam em andamento conversas formais com o DEM para composição do governo, mas uma "identificação pessoal" de Bolsonaro com os integrantes da legenda e com o programa conservador do partido.

O capitão reformado do Exército indicou Fraga como possível "coordenador" da base aliada - papel atualmente do ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência - durante o encontro com os parlamentares no Rio. "Anuncio aqui que quem vai coordenar a bancada, lá do Planalto, vai ser o Fraga", disse Bolsonaro, em meio a risos e aplausos.

Oficial da reserva da Polícia Militar, o deputado perdeu a disputa pelo governo do Distrito Federal. Fraga negou que tenha recebido convite formal e afirmou ter sido surpreendido com a fala do presidenciável. "Foi um comentário despretensioso."

No mesmo encontro, o presidenciável gravou vídeo ao lado de Pauderney Avelino, a quem chamou de "grande companheiro" e amigo. Eles convivem desde 1991, quando eram filiados ao PDC. "Ele (Pauderney) fará parte, com toda certeza, do nosso governo, e fará intermediação com esse Estado próspero e maravilhoso (Amazonas), mas que precisa de alguns reparos, para que vocês possam, na economia e em outras áreas também, crescer na região", diz Bolsonaro na gravação.

Questionado pela reportagem, Pauderney ponderou. "Primeiro tem que ganhar a eleição, depois vamos ver", disse. "Acho que posso, sim, fazer parte (de um eventual governo Bolsonaro)."

O DEM liberou os filiados no segundo turno, mas historicamente fez oposição ao PT. O presidente da legenda, o prefeito de Salvador, ACM Neto, declarou voto em Bolsonaro. Segundo ele, não haverá conversa do partido antes da votação do próximo domingo e caberá ao presidente eleito definir "o tom" e "a condução dessa articulação política".

"O Democratas quer ajudar o Brasil, mas também ninguém vai sair por aí se oferecendo", afirmou ACM Neto. Ele disse ainda que considera normal e "nada surpreendente" que deputados do partido "que possuem afinidade com Bolsonaro ou por terem sido colegas de Congresso" se aproximem dele.

Maia

Com apoio do Centrão - DEM, PP, PR, PRB e SD -, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), busca se manter no comando da Casa. Ex-ministro da Educação no governo Michel Temer, o deputado Mendonça Filho (PE), derrotado na disputa ao Senado, colabora com a campanha de Bolsonaro em propostas da área e também é cotado para voltar à Esplanada.

Presidente em exercício do PSL, o advogado Gustavo Bebianno - cotado para ser ministro da Justiça - disse ser positiva para a governabilidade a aproximação com partidos da centro-direita e do centro, como DEM e MDB.

Além de cogitar representantes do DEM, Bolsonaro concedeu à Frente Parlamentar da Agropecuária a prerrogativa de indicar nomes para o cargo de ministro da Agricultura. A bancada ruralista é outro pilar de apoio do candidato no Congresso.

Bolsonaro também acenou participação no governo para os evangélicos, grupo que tem funcionado como uma terceira trincheira de sua campanha. Ele afirmou em entrevista a TVs controladas por igrejas evangélicas que cristãos terão espaço no governo. Bolsonaro disse que o PT "aparelhou" a administração pública "com gente que pensa diferente" dos evangélicos e que "não tem o sentimento cristão como nós temos". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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