Inimigo do PT nas urnas, Bolsonaro já contou com apoio do partido nos anos 1980

Capitão da reserva era investigado por suposta participação em plano de explodir bombas de efeito moral em unidades do Exército

Se na eleição presidencial deste ano Jair Bolsonaro e PT estão em lados opostos, a situação era completamente diferente em 1988. O capitão da reserva era, à época, investigado pela suposta participação em um plano para explodir bombas de efeito moral em unidades do Exército. Naquele ano, o deputado João Paulo, então no Partido dos Trabalhadores, propôs emenda a ser votada junto com a futura Constituição para conceder anistia a 1.080 praças da Marinha nunca contemplados por anistias anteriores. Tal favoreceria Bolsonaro, além de outros dois capitães, como mostrado em reportagem do JORNAL DO BRASIL de 28 de março de 1998.

 "Se o preço da anistia aos praças da Marinha for o perdão aos capitães, acho que será um preço secundário", disse ao JB José Genoíno, então líder do PT na Câmara dos Deputados. Já o Exército se mostrava contrário à aprovação da emenda proposta pelo parlamentar petista.

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Reportagem do JORNAL DO BRASIL publicada em 27 de março de 1988 (Foto: CPDOC/ JORNAL DO BRASIL)

"Temos na disciplina e na hierarquia a nossa coluna de sustentação. No momento em que permitirmos que seja quebrada, as Forças Armadas começam a ser destruídas", declarou à reportagem um assessor do general Leônidas Pires Gonçalves, à época ministro do Exército.

Entre 1987 e 1988, Bolsonaro foi julgado duas vezes, por diferentes Conselhos de Justificação, sob a acusação de “ter tido conduta irregular e praticado atos que afetam a honra pessoal, o pundonor militar e o decoro da classe”. Quase três meses após a publicação da reportagem no JORNAL DO BRASIL acerca da emenda proposta pelo deputado João Paulo, em 16 de junho de 1988, Jair Bolsonaro foi declarado "não culpado" em sessão secreta do Superior Tribunal Militar (STM). Em dezembro do mesmo ano, o capitão foi para a reserva remunerada. 

"Um líder que não sabe exercer sua liderança"

Em outra reportagem do JORNAL DO BRASIL sobre a Operação Beco sem Saída, publicada em 27 de fevereiro de 1988, Jair Bolsonaro foi chamado de "líder que não sabe exercer sua liderança". 

"De direita, seguidor do general Newton Cruz, o capitão costumava carregar um revólver calibre 32 escondido na botina, do qual não se separava. Dos livros, queria distância", diz ainda o pequeno perfil de Bolsonaro no periódico. O JORNAL DO BRASIL também chama o militar de "ambicioso". 

"[Jair Bolsonaro] sonhava ser herói nacional ou deputado nas próximas eleições", frisa a reportagem.