Jornal do Brasil

País - Eleições 2018

Haddad acusa Bolsonaro de incitar a violência

Para petista, armar a população não resolve a questão da segurança

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O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, acusou seu adversário Jair Bolsonaro (PSL) de fomentar “a violência” e “a cultura do estupro”. Em entrevista exclusiva à AFP, em São Paulo, Haddad afirmou: “Meu adversário fomenta violência, inclusive a cultura do estupro, ele chegou a dizer para uma colega do parlamento que não a estuprava porque não o merecia. Você quer uma sinalização mais violenta do que essa em relação à sociedade?”.

Em seus discursos, Jair Bolsonaro propõe liberalizar o porte de armas para combater a criminalidade, um dos temas mais controversos da campanha. Para Haddad, trata-se de uma resposta com limitações. “Ninguém suporta bandidagem. A questão é que as propostas do Bolsonaro, que são pouquíssimas, inclusive na área em que ele se diz especialista, não vão resolver”, disse o ex-prefeito de São Paulo.

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Haddad: "a centro-esquerda está unida em torno de minha candidatura" (Foto: Tiago Queiroz/AE)

“Armar a população não vai resolver. Quem tem que prestar o serviço de segurança publica é o Estado. E, se o Estado não está prestando o serviço corretamente, nós temos que adequar o serviço. A minha proposta é que o governo federal, que hoje cuida pouco da segurança, passe a cuidar e a assumir parte das responsabilidades, sobretudo em relação ao crime organizado”, acrescentou.

Bolsonaro começou o segundo turno com a ampla vantagem de 58% das intenções de votos, contra 42% para Haddad, segundo a pesquisa do Datafolha. Além da vantagem nas intenções de voto, o ex-capitão conta com o apoio das bancadas da Câmara vinculadas ao agronegócio, às igrejas evangélicas e aos defensores do porte de armas, o que poderá viabilizar a governabilidade.

Haddad, por outro lado, obteve o apoio tímido da centro-esquerda, incluindo o candidato Ciro Gomes, do PDT, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 12,5% dos votos, e de quem esperava maior engajamento na reta final da campanha.

“Acredito que a determinação do PSOL e do PSB foi decisiva. Eu espero um apoio muito mais firme do PDT. Espero, inclusive do Ciro. Mas o apoio já foi dado. O engajamento na campanha é uma coisa que depende de outras variáveis. Agora toda a centro-esquerda está unida em torno da minha candidatura, inclusive o movimento social”, ressaltou.

Haddad acredita que Bolsonaro perderá a eleição e que ele encontrará canais de diálogo com o Legislativo. “Um professor tem muita mais chance de abrir um diálogo do que alguém como meu adversário, que nunca vi chamar ninguém para dialogar, que nunca aprovou nada relevante em 28 anos de mandato”, afirmou.

O petista ressalta que Bolsonaro sempre incitou a violência. “Imagina uma pessoa que tem como herói um dos maiores torturadores do continente. Essa pessoa é que lidera as pesquisas, mas vai perder”, declarou.

Criticou ainda a forma como Bolsonaro, conhecido por sua retórica misógina, homofóbica e racista, faz campanha, sobretudo por meio do aplicativo de mensagens Whatsapp.

“Acho que o que predominou foi a mentira, não foi o Whatsapp. Se ele tivesse usado o Whatsapp para falar a verdade eu não teria nenhum problema com a campanha dele. O problema é que nós já entramos com não sei quantas ações judiciais para tirar do ar os vídeos que a campanha dele produz falando mentiras a respeito de mim e da minha vice (Manuela d’Ávila). O trabalho de desfazer uma mentira é muito maior do que de falar a verdade”, reclama.

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De olho na Venezuela

Fernando Haddad afirmou que, se o assassinato do vereador venezuelano Fernando Albán por agentes do Estado for comprovado, seu eventual governo não hesitará em repudiar e que não pactuará com regimes que usam a força bruta.

Albán, acusado de participar de um ataque contra o presidente Nicolás Maduro, morreu no dia 8 de outubro ao cair do décimo andar da sede do serviço de inteligência em Caracas.

O governo venezuelano afirma que foi suicídio, mas seus parentes denunciam que se tratou de assassinato. a ONU e países como Brasil e Estados Unidos pediram uma investigação independente.

“Se ficar comprovado que o vereador foi assassinado, por exemplo, por agentes do Estado, você pode contar que, se for no meu governo, vai receber o repudio devido. Nós não vamos brincar com a vida das pessoas nem vamos compactuar com regimes que usam a força bruta para fazer valer seus interesses”, disse Haddad.



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