Apoio no 2º turno: Centrão fica em cima do muro

Com o país visivelmente dividido entre os dois principais polos da esquerda e da direita, os partidos do chamado centro decidiram, em sua maioria, não arriscar apoio oficial nem a Jair Bolsonaro (PSL) nem a Fernando Haddad (PT). Assim, as lideranças regionais estão liberadas para compor regionalmente suas alianças.

Os partidos do Centrão, que sempre decidem juntos, anunciaram a neutralidade. Ontem, o presidente do DEM, ACM Neto, divulgou uma longa nota na qual libera lideranças e militantes a votarem “seguindo suas convicções”. À tarde, em novo comunicado, declarou apoio pessoal a Bolsonaro.

“Não concordo 100% com os pensamentos, as bandeiras e pregações de Bolsonaro. Na democracia, sobretudo num segundo turno com apenas duas opções, a gente não precisa concordar em 100% com alguém para que essa pessoa possa merecer o meu voto. Mas discordo 100% do retorno do PT ao governo do Brasil”, disse o prefeito de Salvador.

No primeiro turno, integrantes do DEM figuraram ao lado de Bolsonaro. O deputado Onyx Lorenzoni (RS), por exemplo, foi coordenador da campanha do ex-capitão. O candidato ao governo da Bahia, José Ronaldo de Carvalho, chegou a causar constrangimento ao anunciar, no primeiro turno, que apoiava o militar.

O Solidariedade, cuja maioria de lideranças tende a ficar com Haddad, também liberou os diretórios locais a decidirem “de acordo com a realidade local dos estados”. O comunicado do partido diz, no entanto, que as lideranças devem apoiar somente o candidato que “respeitar a Constituição vigente” e que respeite a democracia.

O PR foi na mesma direção. Ao anunciar a neutralidade, o líder do partido na Câmara, José Rocha (BA), afirmou que assim como o país está dividido, as lideranças do partido também ficarão parte com Bolsonaro, parte com Haddad. “Cada parlamentar deve seguir quem achar melhor”, explicou Rocha.