Ataques têm dominado eleições

Ataques, pessoais e virtuais, têm dominado o período eleitoral no país. Após o capoeirista Romualdo Rosário da Costa, mais conhecido como Moa do Katendê, ser assassinado na madrugada de segunda (8) depois de dizer que votava no PT, uma série de outras agressões têm vindo à tona. O JB contou pelo menos dez ataques já noticiados em jornais locais de todo o Brasil. O ambiente hostil é proporcionado pela polarização entre o candidato do PSL Jair Bolsonaro e Fernando Haddad (PT), que disputarão o 2º turno no dia 28.

Bolsonaro, que também foi esfaqueado no dia 6 de setembro, em Juiz de Fora, é conhecido por declarações de ódio às minorias, e demonstrações agressivas durante campanha – como a que encenou com um tripé de câmera uma arma em discurso contra o PT no Acre.

Um dia após o primeiro turno, o banheiro feminino do Colégio Franco-Brasileiro, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio, foi pichado com os dizeres: “Sapatas vão morrer”, referindo-se de forma ofensiva à mulheres lésbicas. A diretora do colégio, Celuta Reissmann, enviou uma circular aos pais e responsáveis exigindo respeito às diversidades. “Não aceitaremos qualquer tipo de manifestação preconceituosa. Informamos que o problema já está sendo tratado por nós com todo cuidado e atenção, na medida em que não há, no histórico do Franco-Brasileiro, qualquer registro de incidentes como esse até aqui”.

Irmã da vereadora Marielle Franco (PSOL- -RJ), assassinada em março, Anielle relatou em sua rede social na segunda (8) que foi agredida verbalmente por “homens devidamente uniformizados com a camisa” de Jair Bolsonaro. Segundo ela, a abordagem ocorreu enquanto andava em uma rua no Rio com Mariah, sua lha de dois anos, quando rapazes gritaram: “piranha” e “esquerda de merda”.

Outro relato diz respeito a um jovem espancado em Teresina (PI), no sábado (6), por estar vestindo uma camiseta vermelha e ter respondido às agressões verbais que sofreu. De acordo com o depoimento de Paulo Bezerra, os agressores vestiam camisa do candidato do PSL e atacaram o jovem enquanto gritavam palavras de ordem. Em um vídeo divulgado nas redes é possível ouvir “é comunista”, como justificativa para as agressões.

Com o PT garantido no 2º turno das eleições graças ao resultado da votação no Nordeste, a região foi alvo de xenofobia nas redes, por eleitores de Bolsonaro: “Esses nordestinos têm que se foder mesmo. Depois reclama da miséria e pobreza e não sabe o motivo”, disse um perfil. “Campos de concentração para baianos já”, escreveu outro.