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País - Eleições 2018

Haddad: Muita coisa em jogo

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O candidato da coligação “Brasil Feliz de Novo”, Fernando Haddad, do PT, está no segundo turno das eleições de 2018 contra o presidenciável Jair Bolsonaro, do PSL, que ficou em primeiro lugar com 46% dos votos válidos O pleito deste ano se mostrou plebiscitário, com uma polarização acirrada só vista na disputa do segundo turno de 2014, quando a ex-presidente Dilma Rousseff foi reeleita por pouco mais de 4,5 milhões de votos – 51,64% contra 48,36% de Aécio Neves, do PSDB. O resultado mostra uma clara posição antipetista com forte tendência evangélica impulsionada por Bolsonaro e que se refletiu nas eleições para o Congresso Nacional.

Os números do 1º turno evidenciam a contraposição entre as regiões Sul e Sudeste, que elegeram Bolsonaro, com o Nordeste e o Nordeste garantindo a ida de Haddad para a segunda etapa das eleições. Em sua fala após a divulgação do resultado, Haddad disse sentir-se desafiado diante dos números expressivos de seu adversário. “É uma oportunidade inestimável que o povo nos deu e nós precisamos aproveitar com sobriedade. Nós queremos unir os democratas”, afirmou.

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Fernando Haddad (Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO)

Para Haddad, até mesmo o pacto em torno da Constituinte de 88 está em jogo, mas “nós vamos muito respeitosamente para o campo democrático com uma única arma, o argumento”. “Essa eleição coloca muita coisa em jogo. Nós vamos enfrentar esse debate. Queremos enfrentar com muito respeito, com uma única arma: o argumento”, disse. “Eu celebro a democracia e a liberdade. São valores que eu cultivo desde sempre. Não vou abrir mão dos meus valores inclusive familiares. O segundo turno nos abre uma oportunidade de ouro: de vencer essa eleição olho no olho, no debate. Vamos defender o Brasil e seu povo, sobretudo o povo mais pobre”, disse ao relatar em seguida que já conversou com seus concorrentes Marina Silva, Ciro Gomes e Guilherme Boulus.

Haddad foi indicado o cabeça de chapa na coligação entre PT, PCdoB e Pros, depois do início da campanha eleitoral e após a Justiça Eleitoral barrar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em função da condenação em 2ª instância no caso tríplex. Ex-prefeito de São Paulo assumiu a candidatura com a promessa de resgatar as políticas sociais e a geração de emprego vividas nas gestões petistas e despontou nas pesquisas de intenções de votos, alcançando o 2º lugar em menos de 20 dias.

As negociações para definir os apoios à candidatura de Haddad começaram ainda ontem e a prioridade é obter a aliança com Ciro e o PSB, que assumiu a neutralidade no primeiro turno. A candidata Marina não deverá declarar apoio ao presidenciável petista, mas uma fala da ex-ministra contra Jair Bolsonaro é aguardada pela campanha. Na cúpula da campanha, a discussão gira em torno de um aceno ao centro, inclusive ao PSDB, na tentativa de levar o 2º turno.

Após o resultado do 1º turno, Ciro Gomes evitou antecipar seu apoio a Haddad, mas deixou claro sua contradição contra a candidatura de Bolsonaro. “Minha história de vida é uma história pela defesa da democracia e contra o fascismo. Ele não, sem dúvida”, disse em entrevista aos jornalistas. À imprensa, Marina também disse que sua posição vai ser discutida no partido, mas afirmou que independente da posição a ser adotada, a Rede será oposição ao novo governo. “Não tenho nenhuma identificação com projetos autoritários”, disse.



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