Jornal do Brasil

País - Eleições 2018

Bolsonaro critica urnas

Jornal do Brasil EDLA LULA, edla.lula@jb.com.br

Sem esboçar satisfação, o candidato à Presidência da República do PSL, Jair Bolsonaro, comemorou o resultado do primeiro turno das eleições - com ampla margem sobre o segundo colocado – reclamando das urnas eletrônicas. O presidenciável optou por usar o Facebook – seu mais poderoso meio de comunicação e instrumento para angariar adeptos – para agradecer o voto dos 48 milhões de votos que até então haviam sido registrados a seu favor.

“Tivemos muitas críticas de urnas que tiveram problemas”, disse ele, logo na abertura da transmissão. Entre as denúncias apontadas pelo presidenciável estão casos em que depois da opção para governador, a urna travava. Em outro caso, “apertava só um número e logo aparecia a imagem de um candidato de esquerda”. Outro exemplo citado pelo candidato foi o de pessoas idosas que ao se depararem com longas filas ou seções localizadas no terceiro andar, desistiam de votar. “Vamos exigir do TSE soluções para o que aconteceu agora”, adiantou o candidato, para quem “a votação de ontem teria definido o novo presidente se não fossem os problemas da urna eletrônica”.

Macaque in the trees
Jair Bolsonaro (Foto: WILTON JUNIOR/ESTADAO)

O candidato comemorou o fato de ter saído na frente em quatro regiões, mas disse que vai trabalhar para conquistar os votos nordestinos. “Quero que o povo do Nordeste conservador e trabalhador fique livre da coação que sempre existe por parte do PT. Não queremos a volta desse tipo de gente para ocupar o Palácio do Planalto”, acrescentou, em referência ao candidato petista Fernando Haddad.

Ao lado do economista Paulo Guedes, a quem batizou de seu “Posto Ipiranga” ao longo da campanha, Bolsonaro prometeu recuperar a economia. “Nosso país está à beira do caos, não podemos dar mais um passo à esquerda”, disse ele. “Vamos nos aproximar das grandes nações, vamos realizar uma política externa sem viés ideológico. Vamos agregar valor”, completou.

O candidato atribuiu o favoritismo ao apoio que recebeu de importantes setores da sociedade, como empresários, ruralistas e lideranças evangélicas. Citou ainda mais de 300 parlamentares de diversos partidos. “Não queremos o modelo da Venezuela, precisamos nos afastar do socialismo”, disse, ao se colocar, mais uma vez, como ícone antipetista.

O “mito”, como foi chamado repetidas vezes ontem pelos seus seguidores, cresceu politicamente tendo como base o discurso ultraconservador que encontrou eco em grupos sociais contrários a temas como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aborto e educação sexual nas escolas.

Por outro lado, o candidato ganhou a simpatia do mercado financeiro, de políticos e intelectuais favoráveis ao programa privatista e liberalizante proposto pelo PSL e personalizado na figura de Guedes, formado na Escola de Chicago, berço do pensamento liberal. O voto em Bolsonaro foi também, e acima de tudo, o voto contra o PT.



Tags: eleições

Recomendadas para você