Jornal do Brasil

País - Eleições 2018

Haddad mira em Bolsonaro

Preocupado com as últimas pesquisas, petista parte para o ataque e liga ex-capitão a Temer

Jornal do Brasil EDLA LULA, edla.lula@jb.com.br

Com o avanço da candidatura de Jair Bolsonaro, do PSL, que lidera as pesquisas de opinião para a Presidência, acendeu o sinal de alerta no comando da campanha do candidato do PT, Fernando Haddad. Bolsonaro passou a ganhar votos também em redutos petistas, cresceu entre os evangélicos e chegou ao patamar de 31% das intenções de voto no Datafolha. Enquanto isso, Haddad parou em 21% e viu sua rejeição disparar. Apesar das divergências sobre a melhor estratégia a ser adotada, tema discutido em reunião entre o PT e aliados, a campanha resolveu partir para a ofensiva e não deixar os ataques sem respostas.

Diante desse cenário, a campanha passou a lançar mão na reta final do primeiro turno de munição que seria utilizada no segundo turno, como vídeos que começam a ser divulgados, mostrando como Bolsonaro votou em temas caros para o trabalhador brasileiro e como ele ajudou o governo Michel Temer no Congresso. Um dos vídeos diz que Bolsonaro “foi o único deputado que votou contra o fundo de combate à pobreza”, “contra a valorização do salário mínimo” e os “direitos dos trabalhadores na reforma trabalhista de Temer”.

A mudança de tom também pôde ser sentida em entrevista de Haddad, durante agenda de campanha, em São Paulo, ontem, ao denunciar a atuação de apoiadores de Bolsonaro espalhando fake news por meio de grupos de WhatsApp. “Nós mantivemos até aqui um campanha propositiva, só que agora chegou o momento de nos defendermos nessa reta final porque é grave o que está acontecendo no WhatsApp. Nós vamos tentar identificar os emissores das fake news. Sabemos que não é simples para identificar, mas é possível”, disse.

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Em entrevista, Haddad denunciou a difusão de fake news por apoiadores de Bolsonaro (Foto: Gabriela Biló/AE)

Nos últimos dias, mensagens fake tomaram conta dos grupos do WhatsApp distorcendo notícias sobre a manifestação #ELENÃO, sobre a falta de confiabilidade do sistema de urna eletrônica e até mesmo dizendo que o PT financiou a Venezuela. Vídeos de mulheres nuas quebrando imagens de santos e ofensas morais contra Haddad e o candidato Ciro Gomes, do PDT, também circularam. Para Haddad, a desconfiança sobre as urnas é o menos grave. “Não posso acusar, mas posso desconfiar pela natureza do discurso dele a impressão que eu tenho é que é muito compatível, tem muita aderência com as cosias que ele fala”, disse referindo-se ao presidenciável Bolsonaro.

Também foram espalhadas falsas notícias sobre projetos de lei relacionados à “ideologia de gênero”, “homossexualismo”, “união poli afetiva” e “mudança de sexo pelo SUS”. Quem teve acesso a um desses grupos conta que o seguidores eram convocados a mostrar o quê a turma do ‘PT’ e ‘Ciro’ querem para o país. O Instituto Datafolha revelou que os eleitores do capitão reformado do Exército são os que mais se informam por essa rede social: seis em cada 10 eleitores de Bolsonaro se informam pelo WhatsApp.

Outra avaliação no comando da campanha petista é que a ostensiva campanha do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, acabou prejudicando o petista e beneficiando Bolsonaro. Com mais tempo de televisão, a tática tucana para disputar os votos de centro-direita e de direita, foi partir para cima dos dois candidatos. No último deles, Alckmin explorou a polêmica delação do ex-ministro Antonio Palocci.

Quem conhece Haddad diz que ele não vai atacar diretamente ou pessoalmente, mas será veemente em sua defesa. Um dos motes será fazer uma forte defesa da democracia, mostrando ser ela a única saída para a crise vivida pelo país e enfatizando que o presidenciável petista é quem tem condições de “ministrar o remédio” para o Brasil retomar o crescimento e recuperar o avanço social. No PT, a avaliação também é que o jogo pesado da campanha sempre foi enfrentado pelo partido em todas as eleições e que o 2º turno será duríssimo. Pesquisas internas devem mostrar Haddad crescendo chegando a 25%, 26%, enquanto Bolsonaro se estabilizando nos 31%. Para o 2º turno, com cautela, Haddad já está pavimentado ambiente para fechar apoios e o principal deles é de Ciro Gomes.



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