Jornal do Brasil

País - Eleições 2018

Penúltimo debate na TV sem meias-palavras

Além de Bolsonaro, adversários atacam Haddad em confronto na TV Record

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Os principais candidatos à Presidência nas eleições se encontraram ontem para o penúltimo debate antes do primeiro turno. Realizado pela TV Record, o evento privilegiou os confrontos diretos entre os adversários, que puderam fazer perguntas entre si. Com isso, desde o início, a troca de críticas foi bastante intensa. O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que se recupera de um atentado sofrido em Juiz de Fora, não compareceu, mas foi um dos principais alvos de ataques. Fernando Haddad, do PT, também esteve na berlinda.

Logo na primeira participação, Cabo Daciolo (Patriotas) acusou PT e PMDB de serem um “casalzinho, que pegou dinheiro do BNDES e investiu fora do Brasil”. Haddad, que participa do terceiro debate desde que assumiu a candidatura, rebateu, dizendo que Daciolo “desconhece a geopolítica do continente. Na época do Lula, a quantidade de bens e serviços exportados pelas empresas brasileiras geraram emprego no Brasil. Foram 20 milhões de empregos em 12 anos, além de investimentos maciços em educação”, afirmou.

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Dias (Podemos), Haddad (PT), Meirelles (MDB), Alckmin (PSDB), Daciolo (Patriotas), Ciro (PDT), Marina (Rede) e Boulos (PSOL) (Foto: Paulo Lopes/Agência Estado)

Ao fazer pergunta a Ciro Gomes (PDT), o candidato do MDB, Henrique Meirelles, fez a primeira citação a Bolsonaro: “Nenhum país democrático tem um Bolsonaro como presidente. Temos um país onde as pessoas se combatem, e ele próprio lidera esse combate. O que nós podemos fazer para promover mais confiança e melhor entendimento para que não se caia nesse radicalismo?”.

Ciro respondeu que “a política brasileira está chafurdando no ódio, no radicalismo. Nossas diferenças nunca nos impediram de estar juntos. Fui colega do Haddad, da Marina, Alvaro, Meirelles. É isso que sonho para o Brasil. Precisamos de serenidade e capacidade de diálogo”.

Na sequência, o pedetista fez sua pergunta para Marina Silva, da Rede: “Qual sua opinião sobre a frase assustadora de Jair Bolsonaro afirmando que não reconhece o resultado das eleições?”. A resposta foi direta: “Bolsonaro tem atitude antidemocrática, desrespeita as mulheres, índios, negros, a população brasileira. Com essa frase, desrespeita o jogo democrático. Isso são palavras de quem já está com medo da derrota. Em 2010, diziam que era preciso unir o Brasil. Hoje, o projeto autoritário do Bolsonaro foi chocado no ninho da polarização do PT e do PSDB. Portanto, não me venham agora dizer que vão unir o Brasil”, afirmou.

Alvaro Dias (Podemos) e Geraldo Alckmin (PSDB) fizeram uma dobradinha contra os “radicais” e a polarização entre Bolsonaro e Haddad no primeiro turno da eleição. Alckmin fez uma apelo pela “união” dos eleitores contra o cenário e defendeu uma “virada” na última semana da primeira etapa do pleito. Os dois defenderam reduzir o número de políticos no Legislativo.

O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, que defendeu uma política de defesa dos direitos e da segurança de cidadãos LGBTs, também atacou Haddad: “Um dos maiores erros do PT foi governar com Temer.” É inexplicável ver você nessa campanha com Renan Calheiros, Eunício Oliveira. É o único jeito de governar?”. Haddad rebateu: “O PT resolveu apoiar Renan Filho em Alagoas. A liderança dos candidatos do PT no Nordeste é tamanha que eles recebem apoio de todos os partidos”, disse Haddad, afirmando que o partido de Ciro e o MDB apoiam, inclusive, o PT em alguns estados do Nordeste.

No fim do debate, a maioria dos candidatos se dirigiu aos eleitores pedindo que não se deixem levar pela polarização, evitando o voto útil e escolhendo o candidato que achar melhor para o país.



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