Jornal do Brasil

País - Eleições 2018

O alvo preferido

Debate no SBT tem Fernando Haddad rebatendo críticas dos adversários e Bolsonaro esquecido

Jornal do Brasil MARCUS CELESTINO, marcus.celestino@jb.com.br

Os candidatos à Presidência que participaram do debate no SBT, na tarde de ontem, evitaram mencionar o nome do presidenciável líder nas pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL) – que não participou do encontro porque ainda está hospitalizado, se recuperando do atentado a faca que sofreu no dia 6 de setembro –, e centraram o ataque ao PT de Fernando Haddad.

O primeiro embate aconteceu com a candidata da Rede, Marina Silva, que ao ouvir do petista a afirmação de ter participado do movimento de impeachment de Dilma Rousseff e, portanto, de ter sido, em parte, “responsável por levar Michel Temer à Presidência”, subiu o tom na resposta e enquadrou Haddad, ao ressaltar que, na verdade, foi o “PT quem pôs o (Michel) Temer lá (na vice-presidência)”. A candidata da Rede ainda lembrou que Haddad foi pedir apoio a Renan Calheiros, que também atuou contra Dilma.

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No estúdio: Haddad (PT), Alvaro Dias (Podemos), Daciolo (Patriota), Boulos (PSOL), Ciro (PDT), Alckmin (PSDB), Marina (Rede) e Meirelles (MDB) (Foto: Adriana Spaca/AE)

O candidato do PDT, Ciro Gomes, que chegou a ser internado na noite de terça-feira, em São Paulo, mas recebeu alta ontem, a tempo de participar do programa, também alfinetou Haddad, ao ser questionado por um jornalista sobre o papel que o PT teria em seu eventual governo. “Eu, se puder governar sem o PT, prefiro. É uma estrutura odienta, que acabou criando o Jair Bolsonaro, essa aberração”, completou o pedetista. Ciro também foi enfático quanto ao MDB: “No meu governo, o MDB será destruído pelas vias democráticas”. No entanto, fez questão de ressalvar que há quadros interessantes no partido, como Roberto Requião.

Haddad reagiu na sua vez de responder ao bloco de perguntas de jornalistas, lembrando que Ciro “há poucos meses atrás me convidava a ser vice”. “Ele chamava esta chapa de dream team”, afirmou. O petista disse que não vai “demonizar ninguém”.

Apesar da troca de farpas, Ciro e Haddad evitaram um confronto direto e fizeram até uma dobradinha crítica à emenda constitucional 95, do teto de gastos. Enquanto o pedetista ressaltou a necessidade de retomar obras públicas paradas, o petista defendeu as reformas bancária, tributária e fiscal e criticou o apoio do PSDB ao teto dos gastos.

Geraldo Alckmin (PSDB) e Alvaro Dias (Podemos) reforçaram o discurso antipetista. Enquanto o tucano disse lutar para “evitar que o PT volte ao poder”, o senador paranaense disse que o “Brasil tem de evitar o retorno dessa organização criminosa”.

Fernando Haddad também precisou ser hábil ao ser perguntado, por um dos jornalistas convidados, sobre o papel do ex-presidente Lula em seu governo: “O Lula não é o Posto Ipiranga do senhor?”. O petista frisou que é o autor do plano de governo, antes feito para Lula, abraçado agora por ele. Sobre suas visitas ao ex-presidente, Haddad disse que continuará, caso eleito, indo a Curitiba “com muita honra”. “Lula está sendo injustiçado. Não vou descansar enquanto ele não for inocentado”, destacou.

Num raro momento em que Haddad ficou fora do alvo de ataques, Cabo Daciolo (Patriota) provocou Ciro Gomes. “O senhor ficou doente, espero que esteja melhor. Só que o senhor correu para o Sírio-Libanês. E o povo? Corre para onde? Chega o período de eleição e todo mundo fala bonito. Por que o senhor não foi para um hospital público”, perguntou Daciolo. Ciro evitou o embate, disse entender a “indignação” de Daciolo e afirmou que não é “demagogo” de dizer que não tem plano de saúde. Ele se defendeu ao dizer que fez a cirurgia da véspera no Sírio-Libanês porque seu médico trabalha lá. O pedetista aproveitou para divulgar que, para atuar na área de Saúde, pretende “revogar a emenda 95, que proíbe investimentos por 20 anos, e entender como podemos dar eficiência à prevenção e atenção básica. Quero criar um fundo para distribuir R$ 100 mil para cada unidade que atinja metas de prevenção da mortalidade e de doenças”, respondeu.

Alckmin também serviu de alvo de críticas, quando Guilherme Boulos (PSOL) o questionou sobre o “dinheiro da merenda”, em referência ao escândalo de desvios de recursos à alimentação escolar, e ao fechamento de salas de aula em São Paulo. O tucano se defendeu dizendo que não fechou nenhuma escola. “Há uma mudança demográfica”, justificou. Na réplica, Boulos lembrou que Alckmin não respondeu à questão da merenda e disse que ele não é nenhum “santo”, em relação ao apelido que seria do tucano na lista da Odebrecht.



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