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País - Eleições 2018

PT estuda próximos passos após candidatura barrada de Lula

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O PT, que estuda seus próximos passos até as eleições de outubro, aponta seus dardos para a Justiça eleitoral, que barrou seu candidato à presidência, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula deve receber nesta segunda-feira seu companheiro de chapa, Fernando Haddad, na prisão em Curitiba onde cumpre pena de mais de 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Os dois deverão definir o rumo do partido após a invalidação da candidatura de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Se houver novidades (sobre mudanças na candidatura), será amanhã", disse Haddad durante entrevista coletiva neste domingo em Maceió.

 

"O PT jamais abandonará Lula! Defenderemos seu direito de ser candidato até as últimas consequências. Enquanto tivermos recursos, iremos fazê-lo", desafiou a presidente do partido, Gleisi Hoffman, neste domingo, no Twitter.

"O maior prejudicado por essa estratégia é o próprio partido. Não entendo o motivo de insistir nessa estratégia de candidatura do ex-presidente, em vez de procurar outra pessoa", comentou o professor de direito público da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Ivar Hartmann.

O TSE proibiu atos de campanha por Lula, ordenou a retirada de seu nome das urnas eletrônicas e deu um prazo ao PT até 12 de setembro para definir um substituto.

Mas em spots de campanha exibidos no horário eleitoral gratuito durante o fim de semana, o partido insistiu em sua imagem. E nas redes sociais, convocou um "#Lulaço".

"Essa é a proposta do PT desde o início: estender ao máximo a agonia do Lula, na possibilidade de que ocorra um milagre. Ou que esse drama fortaleça a campanha do Haddad", estimou o cientista político Murillo de Aragão, em entrevista ao jornal "O Globo".

"A transferência de votos (de Lula para Haddad) é muito pequena. Se a substituição não acontecer em 10 ou 15 dias, pode ser que não ocorra. Esse é o risco", advertiu Aragão.

 

"O problema da candidatura de Haddad é claramente que ele não é conhecido além do estado de São Paulo", assinalou o analista político da FGV Eduardo Grin.

O ex-prefeito de São Paulo, 55, foi Ministro da Educação durante os governos de Lula e Dilma (2011-2016). Sua trajetória o colocou no coração da máquina do PT, sem ele nunca sair, porém, da sombra de seu mentor.

"Insistir na candidatura de Lula prejudica Haddad, prejudica a imagem do partido diante do eleitor, porque parece que não há outras pessoas competentes dentro do partido", advertiu Hartmann.

Para o blogueiro político Fernando Brito, "Haddad vai percorrer o país se apresentando como o representante - não o substituto com pretensões - de Lula. E deixará claro que, se tiver que ser candidato, será para que Lula seja libertado e governe através dele."

 

arc/lb



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