Opção pela experiência

É forçoso reconhecer e proclamar que os debates que marcaram a disputa pelo governo do Rio de Janeiro, no segundo turno, confirmaram o que várias entidades e a apurada consciência eleitoral fluminense já tinham constatado na primeira rodada. Eduardo Paes, evidentemente mais articulado, revelou conhecimento de causa e identidade com as soluções adequadas no enfrentamento dos desafios, que, não sendo poucos, estão colocados ante o destino desse estado.

Revela-se tão prioritária essa qualidade, que não bastariam as respeitáveis virtudes pessoais de seu concorrente, o juiz aposentado Wilson Witzel. Uma avaliação verdadeiramente desapaixonada, guardando o Rio na mente e no coração, leva o eleitor a optar por Paes; o que este jornal já havia sugerido quando se deu o primeiro embate entre eles, no dia 7.

É imensa a responsabilidade que nesta manhã pesa sobre os ombros do colégio eleitoral do Rio de Janeiro, segundo entre as mais importantes unidades federativas, tanto no campo econômico como no político, para não se falar do papel que exerce como criador e divulgador do que melhor ostenta o patrimônio cultural brasileiro.

Cabe não descansar sobre o que já foi possível realizar, mas prosseguir e prosperar; e é nesse ponto que se revelam as competências de Eduardo Paes. Conhecedor das disponibilidades que a natureza reservou ao estado, tem identificado questões pontuais para a economia fluminense, como, para citar exemplo, a atuação mais agressiva do poder público na exploração e revitalização da indústria naval.

Outra questão essencial: o aproveitamento, em dimensões mais amplas, da logística portuária, vocação que o Rio de Janeiro traz dos tempos coloniais, mas nunca suficientemente aproveitada. Os portos não devem ser tão somente locais de embarque de mercadorias made in Brazil e recebimento de insumos e mercadorias importados. Os tempos das cadeias produtivas globais pedem a adaptação como área de transformação de produtos, com mais valor agregado e geração de emprego e renda.

Estando o governo do estado em mãos hábeis e experientes, haverá de se preocupar logo com a a articulação com o governo federal e a Petrobras para o fortalecimento da produção nacional, e do Estado do Rio no projeto de largo prazo de exploração do pré-sal, que é também oportunidade para aproveitamento do parque de alta tecnologia desenvolvido nos centros de pesquisa universitários fluminenses.

Contudo, há questões que reclamam intervenção imediata; não podem aguardar a chegada de novos tempos e esperando que velhos sonhos se convertam em realidade. Sobrepõe-se um elenco de iniciativas capazes de reduzir os problemas que vieram se cristalizando na segurança, na saúde, na educação e no transporte urbano. E dois outros, dos quais os últimos governos pouco falaram e nada fizeram, mas certamente ficam a merecer cuidado especial na gestão: a coleta de lixos, sejam orgânicos ou não, além de melhor distribuição de água potável; e, nunca em segundo, mas em primeiríssimo plano, uma nova e arrojada política de saneamento básico. Não é pra menos, pois horroriza saber que esse é um bem essencial que falta à metade dos 14 milhões de habitantes do Grande Rio.

A adesão deste jornal à plataforma da experiência é, antes de tudo, uma total adesão às causas mais sensíveis da comunidade fluminense. Acima de simpatias ou eventuais reservas à outra candidatura em julgamento neste domingo. Porque o Rio está e estará sempre acima de tudo.