Bolsonaro deve sair imediatamente

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Nesta semana, ultrapassamos a marca de três mil falecimentos diários. Nesta mesma semana, chegamos a trezentos mil brasileiros mortos pela covid-19. Na marcha desta matança, em cem dias o Brasil terá seiscentas mil vidas perdidas. Pouco mais de três meses para que milhares de pessoas nos privem de seu convívio. Talvez nem estejamos aqui no segundo semestre. Talvez façamos parte do número desta tragédia.

Início de julho. Na metade do ano dobraremos nossas vítimas. Até lá, o presidente reagirá aos óbitos e resultados das pesquisas de opinião dizendo bobagens, mentindo nos pronunciamentos, aprovará uma ou outra medida de efeito inócuo, fará o possível para ganhar tempo. E quanto mais tempo Bolsonaro ganha, mais nos submetemos à incompetência e delinquência desse que deveria liderar a busca por vacinas e tratamentos eficazes. Todos sentimos os efeitos físicos ou psíquicos do sadismo presidencial. Tal qual sapos numa panela cuja água esquenta aos poucos, perdemos a capacidade de raciocinar à medida que o calor da catástrofe nos sufoca. Gritamos, batemos panela a cada declaração em rede nacional. É pouco. Não dá mais. Bolsonaro deve sair imediatamente.

Há cidadãos que, mesmo sofrendo as consequências desta política criminosa de extermínio, continuam apoiando o seu mito. Embora inaceitável, é compreensível: para essa parcela de apoiadores do ocupante maior do planalto, deve ser mais fácil acatar a morte iminente, em poucos dias ou semanas, do que abrir mão de princípios associados, de forma equivocada, a coragem, espontaneidade ou coisa que o valha. Defendem a todo custo seu ponto de vista, ainda que tenham de renunciar às suas próprias vidas.

Outra considerável parcela da população, possivelmente a maioria, não apoia Bolsonaro e o julga incapaz de lidar com os problemas atuais. Parte desse grupo, no entanto, duvida da chance de impeachment e, assim, põe-se resignada ante à possibilidade de afastamento. É a favor da manutenção desta dúvida que trabalha o dito “gabinete do ódio”. Propaga falsas notícias, ataca, processa e intimida opositores do governo, combate a racionalidade a fim de chegar em 2022 com chances de manter seu candidato no poder.

Boa parte da imprensa, por sua vez, traça cenários para as próximas eleições presidenciais. Enquanto isso, bancos particulares lucram o que podem e não podem e ministérios arranjam formas de rifar o país para o benefício de poucos. Com o objetivo de preservar esses interesses financeiros, o governo e sua quadrilha trabalham. Se ficarem mais quatro anos, melhor. Caso contrário, encherão os bolsos enquanto planejam a vida num outro país que os vier acolher.

Não dá mais, não há mais tempo. É preciso agir.

Não precisamos, neste exato momento, saber o que mostram as pesquisas de opinião para fazer o que deve ser feito. Pesquisas são importantes, mas não salvarão vidas. Não há mais tempo para análises de cenários com vistas às próximas eleições presidenciais, sob o risco de não haver cenário algum. É preciso exigir do Congresso Nacional a abertura imediata de um processo de impeachment. É igualmente necessário exigir do Poder Judiciário o suporte a esse processo, com a urgência de quem luta pela vida.

Publicitário, escritor e membro da União Brasileira de Escritores-SP