Vacina de juros já: duas doses fortes e um reforço para eliminar variantes

.

(Inflação, câmbio, juros e cenários à frente. O que fazer: um cavalo de pau; Efeito do câmbio na inflação de quem ganha até 2 SM). Pequena simulação dos efeitos na inflação para quem ganha até dois salários mínimos (R$ 2.200), que representam 85/90% dos empregados formais e informais do setor privado. O exercício feito joga entre 55%/60% a despesa com alimentação no domicilio para quem está nessa faixa de renda, a maioria do trabalhador brasileiro.

No exercício, percebe-se que a inflação no segmento foi muito maior que os índices de inflação ao consumidor divulgado, e que foi calculado em 13,14%, dado o forte aumento de alimentos. A verdade é que esse subgrupo é vinculado aos preços de “commodities” e, por conseguinte está vinculada à taxa de câmbio e sua variação que foi significativa.

Dessa forma, uma atuação mais forte na taxa de juros, reduzindo de forma acelerada o gap entre juros nominais e taxa de inflação, poderá ajustar a taxa de câmbio e este parâmetro básico da economia passa a ser guiado novamente pela relação de troca de bens e serviços sendo que os prêmios de riscos, nas taxas de juros e no câmbio, terão reduzidos sua significância.

O ajuste é necessário no curto prazo, tendo dois efeitos imediatos, contenção de demanda e dado a vinculação de alimentos, combustíveis com a taxa cambial uma redução de preços à medida que o câmbio arrefece. Parametrizado pelo índice de preço de “commodities CRB” de 5 de março subiu ao mesmo valor de dezembro de 2014.

E, se fosse usado esse mês como base e aplicado o procedimento da Paridade do Poder de Compra (PPP), chegar-se-ia a um valor de R$ 3,31 para o dólar. Considerando as planilhas de câmbio efetivo do Banco Central, temos um câmbio desvalorizado em 170%, fazendo as contas - R$ 3,35.

O ajuste tem que ser rápido com objetivos a serem alcançados em maio, junho, junto com a percepção de que a vacinação avança de forma acelerada. Os prêmios de riscos percebidos e cobrados se ajustarão e será expresso com a redução da curva longa de juros.

Revertendo o câmbio, muda-se o cenário de inflação e a redução da movimentação dos caminhoneiros será atenuada não afetando o transporte de cargas e o escoamento da primeira fase da safra agrícola anual, beneficiando de forma plena o choque das “commodities”.

O projeto tem que ser um cavalo de pau nos juros agora, na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, dias 16 e 17 de março. O mercado espera cerca de cinquenta pontos (0,50%). Jogava a taxa de juros Selic para o nível de 4,0% (+2,0%), 200 pontos percentuais adicionais e sinalizava que, à frente faria pequenos ajustes pontuais de 25 pontos (0,25%) para convergência da curva curta e longa de juros.

Os números não mentem. Um processo de reversão à média é a meta que se deve atingir. Para alcançar o meio do caminho, uma valorização de 35% da taxa cambial, levando para um câmbio ainda desvalorizado, R$ 4,22.

A elevação da taxa de juros Selic, de forma suave, após um choque inicial (2,0%, 0,25%) ou (1,0%,1,0%,0,25%) ou (1,0%,0,5%,0,5%,0,25%). Efeitos maiores serão obtidos em variáveis de forma positiva (PIB, fluxos de capitais, preços de alimentos e combustíveis).

O governo tem que surpreender positivamente e aceitar os fundamentos econômicos. Com alta de 1% ele modifica o cenário e pode ajudar ao câmbio deslizar cair mais rapidamente, tendo efeitos positivos nas expectativas de inflação, na atividade da economia com achatamento da curva longa de juros.

Ou recua ou à esquerda ou o centro se elegerá.

*Engenheiro elétrico (IME) e Doutor em Economia (EPGE/FGV)