O ponte

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Está causando repercussão a pressão de adeptos da candidatura Artur Lira pela saída de Carlos Marun do Conselho de Itaipu em função do fato de ele estar "apoiando" a candidatura de Baleia Rossi à presidência da Câmara dos Deputados.

Fiz parte da equipe do então Ministro Carlos Marun no Palácio do Planalto. Conhecedor do seu estilo e da correção de sua conduta, afirmo sem medo de errar que ele não vai retirar seu apoio ao amigo e correligionário Baleia Rossi. Marun não vota, mas traz um histórico de prestígio junto aos congressistas pelo que fez na condição de Ministro Chefe da Secretaria de Governo. Se perguntarem a ele quem é o melhor para o Brasil ele responderá que é Baleia Rossi, mesmo que isto possa lhe custar o cargo de conselheiro em Itaipu.

E isto seria péssimo. Além de ser um importante conselheiro e atuar fortemente em prol da implantação da Ponte Bioceânica sobre o Rio Paraguai, tão importante para Mato Grosso do Sul, Marun faz parte de um grupo ligado ao ex-presidente Michel Temer que no MDB busca influenciar o presidente Jair Bolsonaro no sentido de que ele se mantenha na linha do equilíbrio, que hoje é o símbolo do partido.

Mantém diálogo permanente com alguns ministros e conversa com o próprio Presidente, sempre a convite deste. Bolsonaro gosta dele e o chama de "trator". Tem coragem de apresentar diretamente a Bolsonaro o que ele chama de "críticas construtivas", coisa que poucos fazem. Se bem o conheço, deve ter comunicado ao presidente Jair Bolsonaro de sua decisão de abrir sua preferência por Baleia Rossi.

Jamais permitiria que Bolsonaro soubesse disto pelos jornais. Marun tem caráter, decência e espírito público. É uma voz importante entre o MDB e o governo. Uma ponte segura e que será ainda mais importante e necessária se Baleia Rossi vencer a disputa. O presidente sabe disto. Que o time de Lira aprecia cargos todos sabem. E que este é um bom cargo sabem também. A pressão pela "conquista" deste "espaço" será imensa e, em função disto, é possível que se crie uma situação de constrangimento que leve ou Marun a pedir demissão ou o presidente a demiti-lo.

Carlos Marun se sair o fará sem críticas a Bolsonaro. Ao contrário, expressará gratidão. Mas a verdade é que o espírito de estadista que carrega na sua vida pública, fará falta ao governo. Os deputados sabem disso pois eram atendidos e prestigiados por Marun no Palácio do Planalto. Eu recomendaria prudência ao “time” de Lira. A saída de Marun em função desta pressão pode ser um tiro no pé...

JOÃO CARLOS SILVA é articulista e consultor.