Pensar para governar

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Um dos problemas que tem sido um entrave ao desenvolvimento do Brasil é a falta de pensamento estratégico da gestão federal e nas suas políticas.

Com nenhum espaço para reflexão, o Governo Federal direciona seu foco apenas na busca por resultados populistas e imediatistas, sendo induzido a não pensar, e, assim, a não ter qualquer visão estratégica para alavancar o seu governo.

Sonho com o dia em que o governo criará a cultura do pensamento estratégico, traduzido pela ambientação da reflexão como condição de se ter inteligência no agir, para obtenção de resultados autênticos, a curto e a longo prazo.

O pensamento estratégico que demanda total atenção, infelizmente não faz parte do cotidiano desde governo que se mostra incapaz e incompetente. Não se fazem qualquer monitoramento ou análise permanente do planejamento e dos rumos estratégicos.

As situações da sociedade e mercado precisam ser continuamente definidas e acompanhadas, pois suscitam preocupações com os comportamentos táticos que se deve ter a todo momento.

Mas será que quem que governa o país quer ser estratégico?

Será que o governo quer pensar? Quer planejar? Será que ele quer refletir de forma estratégica?

Para implantação da cultura do pensamento estratégico é necessária a contínua reflexão por parte de todos os elementos do governo sobre a trajetória do país, seus problemas e os resultados a serem alcançados.

Mas será que o atual governo quer dividir uma reflexão com seus pares ou prefere uma postura de “manda quem pode e obedece quem tem mais vantagens”?

O que se deveria fazer é promover a integração de pensamentos, para evitar a miopia das lideranças que não possuem atualmente qualquer preocupação com resultados, o que revela total falta de visão estratégica.

Além disso, todos os representantes do governo deveriam pensar em como governar, criando condições ambientais para estimular a reflexão e valorizar a criatividade, e implantando canais para explicitação das ideias.

Brasil – Um país do futuro, sem presente e de triste passado.

Como viver em um país em que um parlamentar é obrigado a abdicar do mandato para salvar a sua vida?

O governo tinha 45 minutos para falar em Davos para uma plateia internacional altamente qualificada e influente, sobre a situação social, econômica e política, mas só ocupou seis minutos e meio. Aparentemente, não tinha o que dizer. Diante do público de Davos, sua apresentação foi um “big fail” (grande fracasso), como definiu o jornal americano Washington Post.

A política do enfrentamento em tempo integral que o governo federal adota como ferramenta de governo traz em seu discurso a negação da ciência, o descaso com a educação e cultura, com o meio ambiente e com a saúde, chegando ao seu auge quando o chanceler admite que o país possa ser tratado como pária, e que “isso pouco importa”.

Ações típicas da velha e podre política, como a negociação ou a coalizão com o tão famoso e desnecessário Centrão, um bloco pária da ciência política, fomentou o discurso contra a Lava Jato, gerando a corrosão da legitimidade institucional e do ambiente político, do qual o governo federal e seus seguidores são claramente beneficiários diretos.

Nunca será demais insistir que esse governo que ocupa a presidência é a síntese da negação e do retrocesso. Nega qualquer responsabilidade em relação aos problemas que o Brasil enfrenta e renega os marcos civilizatórios.

O governo nega e renega o conhecimento científico, tentando impor uma nova verdade, por mais absurda que seja. Haja vista a crença no terraplanismo, cujos seguidores adotam a defesa da ideia de que a terra é plana bem como no caso das autoridades políticas que desafiam as razões médicas em relação à Covid-19.

Este negacionismo é um fanatismo político de mesma natureza que o fanatismo religioso. O combate à razão, justificando pontos de vista injustificáveis, como a adoção de uma verdade divina, serve para aglutinar e aglomerar pessoas com uma certa identidade e defender os interesses desses grupos em detrimento de outros.

Precisamos de um grupo de pensadores e líderes que atuem em equipe, criando uma cultura da participação, de um pensar coletivo que estimule a criação de um pensamento estratégico, com o propósito de salvar este país da catástrofe que se aproxima.

Mas será que o governo quer ter parceiros pensantes estratégicos ou quer apenas ser um poder autoritário?

Pensar criticamente implica em rever paradigmas e substituí-los, não se confundindo com rebeldia que estabelece a desordem e a indisciplina, nem com autoritarismo que representa o não pensar.

Caros amigos, será que mais uma vez escrevo um sonho?

Marcelo Kieling é jornalista, Bacharel em Ciências Contábeis, Ex-assessor da Presidência do BNDES, Chefe da Comunicação do IBGE.