Jornal do Brasil

País - Artigo

Cidadania possível

Jornal do Brasil TARCISIO PADILHA JUNIOR, tarcisiopadilhajunior@yahoo.com.br

É possível compreender claramente os próprios objetivos, e ainda ser capaz de levar em consideração os objetivos de outras pessoas? Embora os objetivos de outras pessoas possam não estar incorporados aos nossos, bem podemos reconhecer nossa interdependência mútua.

 

A capacidade da pessoa sair conscientemente de si e se confrontar com outra pessoa é mobilizada em medidas e modos variados, atravessa uma sequência contínua de estágios. Constitui sempre a precondição para a transmissão do conhecimento, inclusive do autoconhecimento, algo que se desliga momentaneamente do sujeito do conhecimento, e atravessa uma cadeia ininterrupta de gerações.

 

Ultrapassa o valor de conselho de uma educação individual, testemunha a necessidade do fazer e refazer sem cessar o próprio balanço. Permite não confundir desejo e vontade, apreciação subjetiva e valor verdadeiro, opinião individual com conhecimento motivado. Exercício de cidadania que não pretende extinguir relações de poder, mas gerir o poder em nome do bem comum como referência maior.

 

Hoje o poder se define pela influência, significa a capacidade de fixar previamente suas condições, de modificar à vontade os seus parâmetros.

 

A possibilidade de cidadania plena depende de soluções buscadas localmente, também supõe a existência de individualidades fortes. Os jovens já perceberam que a política se tornou uma questão de administração, no qual o processo de soluções foge ao controle democrático.

 

O que deve ser corrigido é cada vez mais significativo, e inadequações a serem corrigidas são tão importantes quanto medidas corretivas que são aplicadas. Não há coletivo que não seja estabelecido sobre a dinâmica da confiança inteligente entre seus membros. A observação atenta e continuada dos fatos basta para pôr no centro das atenções o problema fundamental do verdadeiro sentido da cidadania.

 

Se diferentes lados conseguirem reconhecer interesses em comum e usar a criatividade para estruturar um acordo, este será possível. Para chegar a este entendimento, ambos precisam confiar um no outro para revelar a informação que, de outro modo, permanecerá privada.

 

*Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Editora Multifoco, 2019)