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Oito anos de operação dos corredores BRT na Cidade Maravilhosa: velhos problemas e impasses continuam presentes

Jornal do Brasil GILEAN TEIXEIRA DA ROCHA, redacao@jb.com.br

No dia 6 de Junho deste ano, o sistema BRT (Bus Rapid Transit) da cidade do Rio de Janeiro completou 8 anos de operação. Essa data marca o início do funcionamento do Corredor TransOeste, primeiro a ser inaugurado na capital fluminense em 2012. Infelizmente, muitos problemas constatados nos primeiros anos de circulação deste modo de transporte ainda persistem e assolam os três eixos de ligação do modal.

Um exemplo desses infortúnios é o ocorrido no dia 19 de Maio de 2020, no Corredor BRT TransCarioca, onde 7 estações foram fechadas por causa de vandalismo, três na Região da Leopoldina (Olaria/Cacique de Ramos, Cardoso de Morais/Viúva Garcia e Santa Luzia). O consórcio BRT alega que as mesmas chegaram a uma situação insustentável, conforme nota de repúdio divulgada no site da operadora.

Isso é um absurdo, mas algo que já era previsto, pois a movimentação de passageiros caiu devido às restrições impostas pelas autoridades para frear a pandemia. O impasse de quem faz a segurança no BRT é histórico. Infelizmente, não há alguém que assuma essa responsabilidade e, com isso, o modo de transporte fica vulnerável. A empresa que explora o serviço diz que não pode contratar segurança particular por operar em via pública.

A forma como alguns corredores foi concebido também contribui para esse tipo de prática, visto que o planejamento das estações em alguns lugares as deixou escondidas, como é o caso da estação Olaria/Cacique de Ramos. Não é a primeira vez que ela fecha por causa de vandalismo. Ela está espremida entre a linha do trem e um imóvel comercial. Quem não é do bairro ou passa por ele, não sabe onde fica a estação.

A localidade onde atualmente moro ficou sem atendimento deste meio de transporte, dado que todas as estações do modal aqui estabelecidas estão fechadas, sejam por causa de medidas de contenção a pandemia ou por vandalismo. Ou seja, os ônibus articulados estão saindo das estações da Penha, passando pelos bairros afetados e parando somente na estação Maré. E como fica o atendimento aos trabalhadores do serviço essencial? Qual é a alternativa?

Já estamos com pouquíssimos ônibus circulando. Se ocorrer qualquer problema nas estações de trem do ramal que atende a esta área da cidade, os bairros de Olaria, Ramos e Bonsucesso vão sumir do mapa, posto que até os ônibus intermunicipais, que eram maioria por aqui, estão com pouca frequência.

Lamentável ver tudo isso, sem contar um detalhe: quando o fato aconteceu, o Secretário de Transportes em exercício já tinha estado em um cargo na Polícia Militar. Que ironia ver esse acontecimento. Ele devia de honrar o que fez no passado e garantir a segurança nos transportes públicos. Isso não era um dever dele, era uma obrigação por ter atuado naquelas fileiras. Mas, não ocorreram avanços nesta área na gestão dele.

De resto, sugiro outra alternativa, se o poder público e as forças de segurança não conseguirem normalizar as estações, que as linhas de ônibus retiradas de circulação por causa do BRT voltem a circular imediatamente e as reduzidas por ele possam ter seus trajetos antigos restabelecidos. Agora, a meu ver, essa medida seria a comprovação da impotência do governo mediante o fato.

É necessário que a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Transportes, o Consórcio BRT, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e a Guarda Municipal do Rio de Janeiro entrem em acordo e retornem com a operação deste modal nesta região e nas demais estações afetadas. Meu receio é a pandemia acabar e as estações da Região da Leopoldina ficarem iguais as da Avenida Cesário de Melo, na Zona Oeste, onde muitas não estão funcionando há anos.

É uma pena ver um meio de transporte consolidado nesta cidade e em diversas partes do mundo ainda sofrer com o vandalismo e diversos outros encalços não citados (calotes, superlotação, má conservação, entre outros) neste lugar. O que podemos comemorar em meio a essa falta de integração de diferentes atores no transporte público?

Gilean Teixeira da Rocha é Administrador, Busólogo e Pós-Graduando em Gerenciamento da Mobilidade Urbana pela Universidade Estácio de Sá.